A fabricante brasileira Embraer está em negociações com a IndiGo, maior companhia aérea da Índia, para uma possível venda de 100 aeronaves comerciais, com a possibilidade de incluir outras 50 unidades por meio de uma opção de compra. Caso o acordo seja concretizado, a operação poderá representar um dos maiores contratos comerciais já realizados pela empresa brasileira.

As informações foram divulgadas pela agência Reuters, com base em relatos de três pessoas familiarizadas com as tratativas. Segundo as fontes, as conversas ainda estão em fase inicial e não existe garantia de que a negociação resultará em um contrato definitivo. Tanto a quantidade de aeronaves quanto os modelos envolvidos permanecem em aberto.

As primeiras entregas, caso a operação avance, deverão ocorrer a partir de 2030. O cronograma indica que a possível aquisição está relacionada ao planejamento de expansão da frota da companhia indiana para os próximos anos.

Embora os valores oficiais não tenham sido divulgados, uma encomenda de 100 aeronaves poderia alcançar bilhões de dólares considerando os preços de catálogo. Entretanto, contratos dessa dimensão normalmente envolvem descontos comerciais, o que pode alterar significativamente o valor final da negociação.

Expansão da Embraer no mercado asiático

A possível parceria representa uma oportunidade estratégica para a Embraer ampliar sua participação no mercado indiano, considerado um dos mais importantes segmentos da aviação comercial mundial. O país atravessa um período de crescimento da demanda por transporte aéreo, levando suas companhias a investir na ampliação das frotas e na criação de novas rotas.

Atualmente, a Star Air é a única companhia aérea indiana que opera aeronaves comerciais da fabricante brasileira. A entrada da IndiGo na carteira de clientes da Embraer representaria um avanço importante para a presença da empresa no país.

A fabricante oferece diferentes opções de jatos regionais que podem atender aos planos da companhia indiana. Entre eles estão o E175-E1, com capacidade para até 88 passageiros, o E190-E2, que transporta até 114 pessoas, e o E195-E2, capaz de acomodar até 146 passageiros.

A escolha do modelo ainda não foi definida e dependerá das necessidades operacionais da IndiGo, especialmente em relação à capacidade de passageiros, autonomia e eficiência das aeronaves.

IndiGo planeja ampliar sua frota até 2030

A negociação acompanha os planos de crescimento da companhia indiana. Em setembro de 2026, a IndiGo possuía uma frota de 442 aeronaves e estabeleceu como objetivo alcançar aproximadamente 600 aviões até 2030.

A empresa pretende utilizar novos equipamentos para ampliar sua presença em mercados regionais, atender destinos com diferentes níveis de demanda e oferecer maior capacidade de transporte em determinadas rotas atualmente operadas por aeronaves turboélice ATR.

Os jatos regionais da Embraer poderiam desempenhar um papel importante nessa estratégia, permitindo que a companhia aumente a oferta de assentos e desenvolva conexões entre cidades menores e grandes centros econômicos.

Possibilidade de produção de aeronaves na Índia

Além da negociação comercial com a IndiGo, a Embraer também trabalha para ampliar sua presença industrial no mercado indiano. Em 2026, a empresa brasileira assinou um acordo não vinculante com a Adani Defence & Aerospace para estudar a instalação de uma linha de montagem final de aeronaves E175-E1 em território indiano.

O presidente-executivo da Embraer, Francisco Gomes Neto, já declarou que a viabilidade desse projeto depende de encomendas de pelo menos 200 aeronaves. Caso os pedidos necessários sejam confirmados até o final de 2026, a expectativa apresentada pela companhia é iniciar as entregas de aviões montados na Índia a partir de 2028.

A eventual compra de aeronaves pela IndiGo poderá contribuir para fortalecer as perspectivas comerciais da fabricante brasileira no país, embora ainda não exista confirmação de que a negociação esteja vinculada diretamente ao projeto industrial com a Adani.

Se avançar, o negócio representará uma oportunidade relevante para a Embraer em um mercado que continua investindo na modernização e expansão do transporte aéreo. A aproximação também poderá fortalecer a presença da indústria aeronáutica brasileira na Ásia e abrir novas possibilidades de cooperação industrial e comercial entre Brasil e Índia.