O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) participou, nesta terça-feira (3/11), da apresentação dos Mapas do Caminho elaborados pela Presidência da COP30. Os documentos abordam dois dos principais desafios da agenda ambiental internacional: a transição para o afastamento dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos e o objetivo de parar e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030.
O Mapa do Caminho para a Transição para o Afastamento dos Combustíveis Fósseis nos Sistemas Energéticos e o Mapa do Caminho para Parar e Reverter o Desmatamento e a Degradação Florestal até 2030 foram apresentados em coletiva de imprensa na Casa da ONU, em Brasília (DF). Participaram do evento o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago; a diretora-executiva da COP30, Ana Toni; e o representante residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, Claudio Providas. A deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima Marina Silva também participou do evento.
“Os Mapas do Caminho reafirmam a confiança do Brasil no multilateralismo e na capacidade da cooperação internacional de transformar acordos em ações concretas. São resultados de um processo contínuo de construção coletiva, envolvendo governos, comunidade científica, setor privado, povos indígenas, comunidades tradicionais e sociedade civil”, afirmou Capobianco.
Segundo o ministro, a iniciativa representa um legado da Presidência brasileira da COP30 ao transformar consensos políticos em instrumentos práticos para orientar a ação climática. “A cooperação internacional é construída por processos. Os Mapas do Caminho ajudam a organizar esse esforço, mostrando caminhos possíveis para enfrentar desafios globais como o desmatamento e a transição energética de forma justa e baseada na ciência”, destacou.
Os documentos reúnem evidências científicas e experiências práticas para apoiar governos, setor privado, instituições financeiras e sociedade civil na implementação do Acordo de Paris. De caráter voluntário e orientador, baseiam-se em compromissos já acordados pelos países, incluindo os do primeiro Balanço Global, adotado por consenso na COP28, em Dubai, em 2023.
A elaboração dos dois Mapas do Caminho foi anunciada pela Presidência da COP30 na plenária de encerramento da conferência, em Belém, em novembro de 2025, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defender, na Cúpula de Líderes, mapas do caminho para reverter o desmatamento e superar a dependência dos combustíveis fósseis. A Presidência conduziu o trabalho com contribuições voluntárias de países, organismos internacionais e representantes de diferentes setores da sociedade.
Florestas no centro da ação climática
O Mapa do Caminho sobre desmatamento apresenta orientações para a conservação, o uso sustentável e a restauração das florestas em escala global, abrangendo diferentes tipos de ecossistemas florestais. A proposta parte do reconhecimento de que conservar e restaurar florestas é uma das medidas mais eficazes para reduzir emissões de gases de efeito estufa, proteger a biodiversidade e favorecer a adaptação à mudança do clima.
O documento destaca que, embora o desmatamento tenha diminuído nas últimas décadas, é necessário intensificar os esforços para conter a perda e a degradação das florestas, que agravam a mudança do clima e ameaçam a biodiversidade. Para apoiar os países, o mapa organiza as ações em cinco áreas: conservação; manejo florestal sustentável, agrofloresta e bioeconomia; combate à degradação florestal; combate ao desmatamento; e restauração, reflorestamento e florestamento. Também propõe aprimorar o monitoramento florestal, expandir a assistência técnica e a capacitação, combater os crimes ambientais transnacionais e promover incentivos comerciais à produção sustentável e livre de desmatamento.
Ainda, o documento aponta a necessidade de ampliar o financiamento internacional para florestas e de recompensar países e comunidades pela conservação e pelo manejo sustentável. Entre os 30 mecanismos internacionais que o mapa analisa estão os pagamentos por resultados, a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).
Transição energética com diferentes trajetórias
O Mapa do Caminho sobre combustíveis fósseis conclui que a transição é urgente e inevitável, mas possível, e que todos os países podem começar a agir, respeitando suas diferentes realidades e níveis de desenvolvimento. O documento também aponta ações estruturantes que podem ser adotadas desde já e medidas específicas para diferentes perfis de desenvolvimento.
Elaborado com contribuições de governos e outros atores em uma ampla consulta internacional, o mapa reúne diretrizes para reduzir gradualmente a dependência dos combustíveis fósseis e expandir sistemas energéticos de baixas emissões, com segurança energética.
Como ferramenta de apoio, o Mapa do Caminho apresenta o Índice de Prontidão para a Transição, que permite aos países avaliar suas capacidades, desafios e oportunidades em três pilares: demanda de energia, oferta de energia e economia como um todo. A proposta também incentiva a adoção de estratégias adaptadas às características de cada país e a cooperação internacional para acelerar a implementação das ações.









