Mostra no Memorial dos Povos Indígenas reúne fotografias e registros históricos sobre o povo Yawalapiti e destaca o trabalho de pesquisadores ligados à antiga Tchecoslováquia
Uma exposição no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, apresenta registros da vida e das tradições do povo Yawalapiti, do Alto Xingu, em Mato Grosso. Entre os trabalhos apresentados estão fotografias do antropólogo tcheco Mnislav Atapana Zelený, que construiu uma relação de amizade com a comunidade ao longo de quase quatro décadas.
A mostra reúne imagens do cotidiano indígena, cerimônias tradicionais e momentos de convivência entre o pesquisador e famílias Yawalapiti. Os registros documentam costumes, relações familiares e manifestações culturais preservadas ao longo das gerações.
A ligação de Zelený com o Xingu começou a ganhar força na década de 1980, depois de um encontro com o sertanista Orlando Villas Bôas, em São Paulo. Segundo o relato apresentado na exposição, as conversas sobre a história dos povos indígenas despertaram no antropólogo o interesse de conhecer pessoalmente os Yawalapiti.
Orlando Villas Bôas o encaminhou ao chefe Aritana, uma das principais lideranças indígenas do Alto Xingu. A aproximação deu início a uma convivência que ultrapassou o trabalho de pesquisa.
Zelený foi acolhido pela comunidade e recebeu o nome indígena Atapana. Em seu depoimento, conta que foi adotado pela família de Ayrika e pelo pajé Guñitze.
As fotografias mostram diferentes períodos dessa relação, incluindo imagens de crianças que cresceram e formaram suas próprias famílias. O antropólogo também documentou cerimônias como o Kuarup, pinturas corporais, ornamentos rituais e a luta tradicional huka-huka.
Pesquisador tcheco deixou importante acervo sobre povos indígenas
Outro nome apresentado nos painéis é o de Vladimír Kozák, nascido em 1897, na região da Morávia, território que atualmente pertence à República Tcheca.
Formado em Engenharia Mecânica, Kozák chegou ao Brasil em 1924. Trabalhou em diferentes cidades brasileiras antes de dedicar parte de sua trajetória à documentação da cultura e dos povos indígenas.
A partir da década de 1950, intensificou suas viagens de pesquisa e produziu fotografias, filmes, desenhos e pinturas. Seus registros abrangem 17 povos indígenas, entre eles os Bororo, de Mato Grosso, e os Xetá, do Paraná.
Parte desse material integra acervos de instituições brasileiras e estrangeiras. Em 2017, a coleção de Kozák preservada pelo Museu Paranaense foi selecionada para o Programa Memória do Mundo da Unesco no Brasil.
O pesquisador morreu em Curitiba, em 1979, deixando um conjunto de documentos importantes para o estudo da história indígena brasileira.
Memória preservada em fotografias
As imagens apresentadas em Brasília permitem acompanhar transformações na vida dos Yawalapiti e conhecer aspectos de sua organização social e de suas tradições.
No relato que acompanha as fotografias, Zelený recorda a convivência com lideranças indígenas e a amizade construída durante suas visitas ao Alto Xingu.
A exposição também recupera a contribuição de Orlando Villas Bôas para a história do povo Yawalapiti, especialmente seu trabalho junto às lideranças que participaram do fortalecimento da comunidade.
Ao reunir essas trajetórias, a mostra apresenta documentos de diferentes épocas e evidencia a importância dos registros fotográficos para a preservação da memória e da história dos povos originários do Brasil.










