A União Europeia poderá ampliar seu modelo de relacionamento com países parceiros e incluir Austrália e Nova Zelândia entre os possíveis futuros membros associados do bloco. A possibilidade foi mencionada pela presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, em entrevista à Euronews, após a Comissão Europeia apresentar a ideia de oferecer ao Canadá um novo status de associação.

Segundo Metsola, o conceito de “membro associado” seria uma alternativa intermediária entre a adesão plena à União Europeia e a condição de país candidato. A proposta ainda está em fase inicial e não existe, até o momento, um modelo jurídico consolidado para esse tipo de vínculo.

A discussão ganhou força depois que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs que o Canadá se torne o primeiro país a receber esse tipo de status.

Austrália e Nova Zelândia já possuem acordos com a UE

A possibilidade de uma aproximação mais profunda com Austrália e Nova Zelândia parte de relações que já possuem bases institucionais. Os dois países mantêm acordos comerciais e mecanismos de cooperação com a União Europeia.

No caso australiano, as negociações para um acordo de livre comércio entre Camberra e Bruxelas foram concluídas em março de 2026, embora o tratado ainda dependa das etapas de ratificação necessárias para entrar plenamente em vigor.

A Austrália também mantém uma relação econômica relevante com o bloco europeu, especialmente em áreas relacionadas a minerais, matérias-primas, indústria e comércio.

Com a Nova Zelândia, a União Europeia também mantém um acordo de livre comércio e estruturas de cooperação que abrangem comércio, investimentos e diferentes áreas de interesse bilateral.

Proposta prevê cooperação além do comércio

Metsola indicou que uma eventual associação não estaria limitada às relações comerciais. Entre os possíveis campos de aprofundamento estão o acesso a matérias-primas críticas, regras comuns e cooperação em temas regulatórios.

As discussões também podem envolver questões relacionadas à tecnologia e às redes sociais, incluindo medidas de proteção de menores no ambiente digital.

A proposta pretende criar mecanismos que permitam a países considerados parceiros estratégicos estreitar relações com a União Europeia sem necessariamente buscar a adesão integral ao bloco.

Canadá está no centro da iniciativa

O Canadá foi o primeiro país apontado oficialmente pela Comissão Europeia como possível candidato ao novo modelo de associação.

A iniciativa foi apresentada por Ursula von der Leyen durante o discurso sobre o Estado da União Europeia. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, também defende uma aproximação mais ampla com os países europeus em um momento de mudanças nas relações comerciais internacionais.

A presidente do Parlamento Europeu afirmou que outros países poderão demonstrar interesse caso o modelo seja desenvolvido.

No entanto, as declarações de Metsola não representam um convite formal à Austrália ou à Nova Zelândia. Trata-se de uma possibilidade apresentada no contexto das discussões sobre o futuro das relações da UE com parceiros externos.

Nova Zelândia nega negociações sobre associação

Após a repercussão da declaração, o governo da Nova Zelândia esclareceu que não mantém negociações com a União Europeia para se tornar membro associado. Um porta-voz do ministro das Relações Exteriores, Winston Peters, afirmou que não houve discussões entre Wellington e Bruxelas sobre essa possibilidade.

Na Austrália, o governo também destacou que atualmente está concentrado na conclusão e implementação do acordo comercial com a União Europeia.

O cenário, portanto, ainda está distante de uma eventual adesão associada. A proposta representa uma possibilidade de aprofundamento das relações, mas depende da definição de regras e de negociações futuras entre os países envolvidos.

Caso o modelo seja efetivamente criado, poderá estabelecer uma nova forma de integração entre a União Europeia e parceiros estratégicos que não fazem parte do bloco, ampliando a cooperação em comércio, tecnologia, matérias-primas críticas e regulamentação.