As exportações brasileiras de carne bovina para a China devem voltar a ganhar ritmo entre meados de outubro e novembro, segundo avaliação da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). A expectativa do setor está relacionada ao planejamento dos embarques para atender à nova cota de importação chinesa, que entrará em vigor em 2027.

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, explicou que o calendário das negociações precisa levar em consideração todo o processo logístico entre a produção no Brasil e a chegada da carne ao mercado chinês. O transporte marítimo pode levar várias semanas, fazendo com que os embarques realizados ainda em 2026 sejam destinados ao abastecimento do mercado no início do próximo ano.

A previsão é que as negociações comecem a ganhar intensidade a partir do período indicado pela entidade, permitindo que frigoríficos brasileiros organizem a produção, os embarques e os procedimentos necessários para que as cargas sejam desembaraçadas já dentro da nova cota chinesa.

Cota de 2026 reduziu compras brasileiras

A desaceleração das compras chinesas ocorreu depois que o limite de importação estabelecido para 2026 se aproximou do esgotamento. O cenário provocou uma forte queda nos embarques brasileiros destinados ao país asiático.

Em agosto, a China importou apenas 18,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, uma redução de 88,2% na comparação com o mesmo mês de 2025. A receita obtida com essas vendas também caiu 88,6%, para US$ 101,9 milhões.

A diferença entre os calendários de embarque e desembarque é um dos fatores que influenciam as estatísticas. Enquanto o setor brasileiro considera também cargas já embarcadas e ainda em trânsito, a China contabiliza os volumes quando os produtos entram oficialmente no país.

Nova cota entra em vigor em 2027

Para 2026, a cota brasileira de carne bovina na China foi estabelecida em 1,106 milhão de toneladas. Dentro desse limite, aplica-se a tarifa normal de 12%. Sobre volumes que ultrapassarem a cota incide uma tarifa adicional de 55%.

Para 2027, o limite destinado ao Brasil sobe para 1,128 milhão de toneladas. A previsão de retomada das negociações no último trimestre deste ano está diretamente relacionada à necessidade de preparar os embarques para a entrada da nova cota.

O ritmo das vendas também será acompanhado de perto pelo setor brasileiro. Segundo uma avaliação divulgada posteriormente pela própria Abiec, existe a possibilidade de que a cota de 2027 seja consumida já nos primeiros meses do próximo ano caso os embarques ocorram de forma concentrada. A entidade discute com o governo alternativas para distribuir os volumes ao longo do ano.

União Europeia também está no radar

Enquanto aguarda a retomada das compras chinesas, a indústria brasileira trabalha para ampliar o acesso a outros mercados. A União Europeia aparece entre as prioridades do setor.

De acordo com a Abiec, representantes da indústria, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e de entidades certificadoras desenvolveram um protocolo conjunto para atender às exigências europeias. O procedimento foi validado pelo Ministério da Agricultura e já está em implementação.

A estratégia busca ampliar a presença da carne bovina brasileira no mercado internacional e reduzir a concentração das exportações em determinados destinos.

A China, entretanto, permanece como um dos principais mercados para a proteína brasileira. A expectativa de retomada das negociações entre outubro e novembro abre uma nova etapa para o setor, que terá de conciliar a demanda chinesa, os limites da nova cota e os desafios logísticos para os embarques destinados ao mercado asiático.