O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu (BCE) iniciaram discussões para avaliar uma possível conexão entre o Pix e o sistema europeu de pagamentos instantâneos TIPS (Target Instant Payment Settlement). A iniciativa ainda está em estágio preliminar, mas pode abrir caminho para pagamentos transfronteiriços mais rápidos entre brasileiros e consumidores europeus.

Os estudos foram incluídos no cronograma do BCE e atualmente estão na etapa de pré-investigação. Nesse momento, as autoridades analisam aspectos jurídicos, técnicos, de segurança e operacionais necessários para determinar se os dois sistemas podem ser interligados. O BCE confirmou que existe uma avaliação em andamento sobre a possibilidade de conexão com o Pix.

Como funcionaria uma possível integração

Caso o projeto avance, um brasileiro poderia utilizar sua conta bancária no país para realizar pagamentos em estabelecimentos europeus por meio do Pix. A operação teria conversão entre real e euro, permitindo que a transação seja processada de maneira mais direta entre os sistemas de pagamentos instantâneos.

Na prática, a iniciativa criaria uma espécie de ponte entre o sistema brasileiro e a infraestrutura europeia. O TIPS permite a liquidação imediata de pagamentos em moedas europeias e funciona continuamente, 24 horas por dia, sete dias por semana.

A proposta, porém, ainda depende da conclusão dos estudos de viabilidade e da superação de questões relacionadas à compatibilidade tecnológica, regulamentação, segurança e governança.

Projeto pode avançar nos próximos anos

As negociações ainda não significam que o Pix estará disponível para pagamentos na Europa em curto prazo. Segundo informações divulgadas sobre o cronograma, um eventual projeto-piloto poderá ocorrer em 2028, caso as etapas de análise e implementação sejam concluídas de forma satisfatória.

O Banco Central brasileiro mobilizou diferentes áreas para avaliar os impactos e as condições necessárias para uma eventual integração internacional. A instituição também vem ampliando o diálogo com autoridades de outros países sobre pagamentos instantâneos e interoperabilidade financeira.

Pix ganha espaço além das fronteiras brasileiras

Criado pelo Banco Central e lançado em 2020, o Pix transformou o sistema de pagamentos brasileiro ao permitir transferências e pagamentos instantâneos, disponíveis a qualquer hora e em todos os dias da semana.

A possibilidade de conectar o sistema a outras infraestruturas internacionais representa uma nova etapa de internacionalização da tecnologia brasileira. Atualmente, instituições financeiras já oferecem soluções que permitem utilizar o Pix em determinadas operações internacionais, mas uma conexão direta com uma infraestrutura oficial como o TIPS teria alcance potencialmente maior.

Para consumidores e empresas, uma eventual interoperabilidade poderia reduzir etapas intermediárias em determinadas transações internacionais e facilitar pagamentos durante viagens, operações comerciais e outros serviços envolvendo Brasil e Europa.

Integração também tem dimensão estratégica

Além da conveniência para usuários, a aproximação entre os sistemas brasileiro e europeu ocorre em um contexto de transformação das infraestruturas globais de pagamentos.

O avanço de sistemas instantâneos nacionais e regionais tem aumentado o debate sobre alternativas às redes tradicionais utilizadas em operações financeiras internacionais. Nesse cenário, a possibilidade de conectar o Pix ao TIPS pode ampliar a presença internacional da infraestrutura criada pelo Banco Central brasileiro.

Ainda não há, entretanto, uma decisão definitiva sobre a implementação. As autoridades precisarão concluir os estudos e estabelecer as condições técnicas, regulatórias e operacionais antes de qualquer lançamento.

Se o projeto for aprovado, o Brasil poderá dar um passo importante para transformar o Pix de uma ferramenta predominantemente doméstica em uma infraestrutura com maior capacidade de integração ao sistema financeiro internacional.