Brasília – O embaixador do Vietnã no Brasil, Bui Van Nghi, afirmou que a parceria entre os dois países vive seu momento mais promissor e defendeu a transformação da forte relação política em resultados concretos para o comércio, os investimentos e a cooperação econômica. A declaração foi feita durante a abertura do seminário “Compartilhamento de Informações sobre Economia, Comércio e Investimentos entre Vietnã e Brasil no Primeiro Semestre de 2026”.
Segundo o diplomata, a elevação das relações bilaterais ao nível de Parceria Estratégica, em novembro de 2024, e a visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Vietnã, em março de 2025, consolidaram uma nova fase da cooperação entre os dois países. De acordo com ele, o Plano de Ação 2025–2030, firmado pelos governos, estabelece prioridades para ampliar as relações em áreas como comércio, investimentos, ciência, tecnologia e agricultura.
Ao fazer um balanço da cooperação econômica, Bui Van Nghi destacou que 2025 foi marcado por decisões consideradas estratégicas para a abertura de mercados. Entre elas, citou o reconhecimento do Vietnã como economia de mercado pelo Brasil, a retomada das importações brasileiras de filés de tilápia vietnamita, a abertura do mercado vietnamita para a carne bovina brasileira e a autorização para a entrada de filés de pangasius vietnamita no Brasil.
Outro avanço apontado pelo embaixador foi o anúncio, durante a Cúpula do Mercosul de 2025, do início das negociações para um Acordo de Comércio Preferencial (PTA) entre o Vietnã e o bloco sul-americano. Na avaliação do diplomata, o acordo poderá ampliar a integração econômica entre o Sudeste Asiático e a América do Sul e criar novas oportunidades para empresas de ambas as regiões.
Os números do comércio bilateral também foram destacados. Conforme dados apresentados pelo embaixador, as trocas comerciais entre Brasil e Vietnã somaram cerca de US$ 4,22 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 16,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. As exportações brasileiras alcançaram aproximadamente US$ 2,104 bilhões, enquanto as importações de produtos vietnamitas totalizaram US$ 2,114 bilhões, mantendo um fluxo comercial considerado equilibrado.
O diplomata ressaltou que as economias dos dois países são complementares. Enquanto o Brasil se destaca como fornecedor de produtos agrícolas, matérias-primas, carnes, celulose e minérios, o Vietnã exporta principalmente produtos industrializados, equipamentos eletrônicos, máquinas, têxteis, calçados, produtos de madeira, pescados e alimentos processados.
Apesar do cenário positivo, Bui Van Nghi reconheceu que ainda existem desafios para ampliar a cooperação bilateral. Entre os principais obstáculos, mencionou o baixo volume de investimentos diretos, a concentração da pauta comercial em poucos setores, os altos custos logísticos, a ausência de rotas diretas de transporte, além da necessidade de ampliar o intercâmbio de informações entre empresas e aperfeiçoar o diálogo sobre questões sanitárias e regulatórias.
Como prioridades para os próximos anos, o embaixador defendeu a criação de mecanismos permanentes de compartilhamento de informações entre governos e empresários, o fortalecimento da cooperação entre estados brasileiros e províncias vietnamitas, a ampliação das parcerias em setores como energias renováveis, biocombustíveis, logística, transformação digital, biotecnologia e indústria verde, além da aceleração das negociações do acordo comercial entre o Vietnã e o Mercosul.
Ao encerrar o discurso, Bui Van Nghi reafirmou o compromisso da Embaixada do Vietnã em atuar como ponte entre governos, instituições e empresas dos dois países. Segundo ele, o desafio agora é transformar a sólida base política construída nas últimas décadas em benefícios concretos para o setor produtivo e para a população de Brasil e Vietnã.
“O mais importante é intensificar as ações concretas, fortalecer os mecanismos permanentes de diálogo e responder rapidamente aos desafios que surgirem”, concluiu o embaixador.











