LEILA BIJOS
Os abalos sísmicos se intensificaram durante o mês de agosto de 2026, em nível mundial, atingindo o Japão, Indonésia, Filipinas, Venezuela e Colômbia. O mais recente ocorreu na Colômbia, onde um tremor de magnitude 7,4 matou mais de 294 pessoas e deixou cerca de 4 mil feridos, segundo o governo do país.
O terremoto, de magnitude 7,4, que atingiu o oeste colombiano na última segunda-feira, 10 de agosto, durou entre 90 segundos e dois minutos, e foi o mais forte nos últimos dez anos. O epicentro, ponto na superfície mais próximo de onde o terremoto começou, foi registrado no município de San José del Palmar, no departamento de Chocó. Os tremores também foram sentidos em Bogotá, a cerca de 300 quilômetros de distância, e em países vizinhos. Quinze mil casas foram destruídas, danificadas e prédios desabaram enquanto moradores tentavam escapar.
O terremoto derrubou prédios residenciais e danificou escolas, igrejas, hospitais e casas do porto de Buenaventura, no Pacífico, até a região cafeeira e as principais cidades do oeste. Os estados de Valle del Cauca, Risaralda, Quindío e Caldas também sentiram fortemente os efeitos.
A ação imediata de moradores, médicos e enfermeiras numa clínica com recém-nascidos, permitiu o salvamento dos funcionários, dos enfermos, e das crianças. O pediatra Germán Somoyar desceu pelas escadas, e retirou dez recém-nascidos, agindo com rapidez e equilíbrio, com a ajuda de três enfermeiras e dois médicos. O prédio balançava, mas todos sobreviveram.
Em Cali, terceira maior cidade do país, com mais de 2 milhões de habitantes, os socorristas ainda trabalham em um conjunto formado por quatro torres de cinco andares cada uma. Eles não sabem dizer quantas pessoas ainda podem estar sob a estrutura, ou se terão que retirar somente os mortos. Em Pereira, na região cafeeira do país, centenas de pessoas passaram a noite em colchonetes ou barracas em um abrigo improvisado em um parque. Os coordenadores relatam falta de cobertores, barracas, produtos de higiene e alimentos. Em Medellín e Bogotá, milhares de pessoas foram a centros de doação entregar alimentos, roupas e remédios para as áreas mais atingidas.
Um relatório da unidade de gestão de desastres aponta que 14.493 casas foram destruídas e 81.506 ficaram danificadas. Centenas de pessoas dormem ao relento em abrigos e aguardam para saber se os prédios atingidos correm risco de desabar.
O terremoto é o primeiro grande teste do presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo há uma semana e agora comanda as ações de socorro e reconstrução. Durante as primeiras horas de seu governo não agiu com rapidez, nem sensibilidade, e recusou as ofertas de equipes de resgate de alguns países. Oficiais do governo tiveram que se reunir em emergência, para que o chefe de Estado aceitasse a ajuda de equipes de Israel, dos Estados Unidos, e do Brasil, visando resgatar sobreviventes com a máxima urgência. A presidente do México,
Claudia Sheinbaum, colocou equipes à disposição da Colômbia, mas o governo colombiano recusou a ajuda.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos informou que o terremoto de magnitude 7,4 ocorreu principalmente devido a uma falha de deslizamento lateral a uma profundidade de aproximadamente 110 quilômetros. A região faz parte da Placa do Caribe, Placa de Cocos, e Placa de Nazca. Em termos simples, um terremoto de deslizamento lateral ocorre quando dois blocos da crosta terrestre deslizam horizontalmente um sobre o outro, em vez de se moverem para cima ou para baixo.
A análise de estrutura dos edifícios colombianos mostra a espessura reduzida das paredes, o “confinamento”, em que arames de aço são colocados nas bordas da parede para ajudar a evitar o esmagamento do concreto, é praticamente impossível de ser implementado durante a construção, e não é exigido pelas normas de construção no país. Na Colômbia, muitos edifícios possuem paredes finas de concreto, geralmente com espessura de 7 a 10 centímetros, e contam apenas com uma única camada de armadura de aço, geralmente uma tela de arame eletrossoldada, que é muito frágil e se rompe rapidamente.
A região está sobre a placa Sul-Americana, que compreende o encontro de três placas tectônicas, e no Cinturão de Fogo do Pacífico, parte continental da Colômbia. Já as ilhas de Gorgona e Malpelo estão sobre a placa de Nazca, enquanto San Andrés e Providencia ficam sobre a placa do Caribe. O encontro entre essas placas produz movimentos constantes no subsolo. Em determinadas áreas, uma placa pode mergulhar por baixo de outra, processo conhecido como subducção, acumulando e liberando grandes quantidades de energia.
Milhares de colombianos vivem em acampamentos enquanto as equipes de resgate procuram sobreviventes entre os escombros. Sete dias depois do tremor, a expectativa de encontrar alguém com vida diminuiu.
Os abalos na Colômbia ocorrem apenas cerca de um mês após os terremotos na Venezuela, que podem ter destruído ou danificado mais de 58.000 edifícios e tiraram a vida de milhares de pessoas.
A ocorrência de vários terremotos fortes em um mesmo ano costuma despertar dúvidas sobre uma possível mudança na atividade sísmica mundial. No entanto, cada tremor precisa ser analisado individualmente, considerando sua localização, profundidade e o tipo de movimentação das placas tectônicas envolvidas.
A intensidade dos abalos colocou novamente em evidência a vulnerabilidade de áreas urbanas diante de terremotos de grande magnitude. A Terra apresenta atividade sísmica continuamente. Grandes terremotos podem ocorrer em diferentes períodos e regiões, e a quantidade registrada pode variar de um ano para outro.
Em face dos contínuos terremotos, os governos devem implementar códigos rígidos de construção antissísmica, mapear falhas geológicas, investir em sistemas de alerta prévio e treinar a população com simulados regulares. A preparação exige ações integradas antes, durante e depois do evento catastrófico.









