Economia Verde em alta no mundo

Que a economia verde é aposta certa no futuro sustentável ninguém tem dúvida, nem os vermelhos do outro lado do mundo. Por isso o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o China Development Bank (CDB) assinaram acordo, no fechamento desta última semana, prevendo captação de investimentos na ordem de US$ 1,3 BI.

Infraestrutura e economia verde são prioridades no documento, com foco em transição energética (assunto de grande interesse dos chineses), bem como saneamento, agricultura e mineração. Pelos entendimentos dos governos do Brasil e da China, haverá captação de R$ 500 milhões no curto prazo e outros R$ 800 milhões no longo.

Um quadro econômico mais estabilizado, com perspectivas melhor definidas, abrirá oportunidade para novos IPO´s na Bolsa do Brasil como, aliás, se espera mesmo antes da eleição do presidente atual. Cabe lembrar que só em saneamento existe um espaço enorme para crescimento. A legislação prevê a universalização dos serviços básicos até 2033 e o quadro atual é: 85% da população brasileira tem acesso a água potável e 55% à coleta de esgoto.

GEE x NbS
A economia verde prevê, conceitualmente, a descarbonização a partir da redução das emissões dos Gases de Efeito Estufa (GEE). E é justamente para debater oportunidades no combate aos gases, por meio das Soluções baseadas na Natureza (NbS, em inglês), que a plataforma Capital for Climat (C4C) promoverá encontro com investidores e especialistas no tema.

A primeira Cúpula de Investimentos em Soluções baseadas na Natureza (www.nbsbrazil.com) vai ocorrer, no dia 25 próximo, em São Paulo, com apoio de parceiros locais, entre os quais JGP, BTG Pactual e Vert Capital, que dentro de um grupo de 10 grandes investidores comprometeram-se a aportar US$ 2,5 bilhões nos próximos três anos.

LIDERANÇA
O Brasil está posicionado para liderar a transição para Net Zero se explorar sua vantagem comparativa em Soluções baseadas na Natureza. Hoje, 73% das emissões de GEE no Brasil vêm do desmatamento e do setor agrícola, de acordo com relatório (divulgado em 2022), do The Amazon’s Marathon, da Systemiq Brasil para a Aya Earth.

Enquanto as NbS representam um terço das oportunidades totais de redução de emissões para zero até 2050, “no Brasil a proporção é mais que o dobro disso”, enfatiza Tony Lent, cofundador da C4C, acreditando que o país poderá ser o maior mercado para investimentos em NbS do Hemisfério Sul.

AMAZÔNIA
“Infraestrutura Sustentável na Amazônia” é tema de workshops promovidos pela Nint, com apoio da Moore Foundation, neste mês de abril. O primeiro ocorreu em Brasília, dia 12, e os próximos serão neste dia 17, em São Paulo, e 19 no Rio.
Inscrições, gratuitas, serão feitas pelos links https://esg.nintgroup.com/infraestrutura-sustentavel-na-amazonia-sao-paulo e https://esg.nintgroup.com/infraestrutura-sustentavel-na-amazonia-rio-de-janeiro

LIXO ELETRÔNICO
Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), somente 3% do lixo eletrônico produzido na América Latina é descartado corretamente. O Brasil, isoladamente, acompanha esta média de 3%. Além de materiais inservíveis, em meio a esta montanha de 97% descartados aleatoriamente (ou simplesmente amontoados em muitas casas e oficinas), existem filamentos de ouro e outros materiais nobres que poderiam – e deveriam! – ser reciclados.

Pela mesma pesquisa, existe um desperdício de US$ 1,7 bilhão ao ano, não bastassem os danos ao meio ambiente. No ranking internacional, o Brasil é o quinto maior produtor de lixo eletrônico e deverá descartar mais de 2,5 milhões de toneladas neste ano.

“Ampliar a utilização desse resíduo e promover impactos positivos ao meio ambiente é a proposta da parceria entre a empresa GM&C, especializada em logística reversa e reciclagem de equipamentos eletroeletrônicos, e o Movimento Circular”, diz, em nota, as duas organizações que pretendem montar projetos com potencial de engajamento e multiplicação dos conceitos da economia circular.

FERROSOS
As exportações de sucata ferrosa, insumo usado na fabricação de aço, voltaram a crescer em março, para 71.399 toneladas, reportando aumento de 42% em relação ao mesmo mês do ano passado e 20% acima de fevereiro último. No Brasil há baixa demanda para tais materiais, daí a exportação.

Computado o primeiro trimestre do ano, as exportações já alcançaram 168.659 toneladas – crescimento de 40% em comparação ao primeiro trimestre de 2022.

Segundo Clineu Alvarenga, presidente do Instituto Nacional da Reciclagem (Inesfa), órgão representante de 5,6 mil recicladores que reinserem insumos recicláveis no ciclo da cadeia produtiva, as incertezas econômicas, com a paralisação parcial de montadoras de veículos e dificuldades em outros setores da indústria, como o da construção civil – potenciais consumidores de aço – mantém o mercado interno de vendas de sucatas desanimador.

REFINARIA
O governo da Bahia assinou memorando de entendimento com a Refinaria de Mataripe para a construção de uma planta de diesel verde (HVO) e querosene de aviação sustentável (SAF), injetando R$ 12 bilhões em investimentos nos próximos dez anos. Pelo menos metade destes ocorrerão nos quatro primeiros anos.

Cabe lembrar que os ativos da refinaria foram negociados em 2021 com o Mubadala Capital, fundo financeiro de Abu Dhabi. A venda ocorreu durante a visita do presidente anterior aos Emirados Árabes naquele ano.

LDO
A Casa Civil anunciou, no sábado, 15, que o Congresso receberá nesta segunda, 17, a proposta do chamado arcabouço fiscal.
Expectativa é que as metas do atual governo para as contas públicas fiquem de fora desse texto que comporá a nova Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

DEBÊNTURES
Bateu em R$ 36,6 bilhões a oferta de novas debêntures no mercado durante o primeiro trimestre. O montante é 34,5% menor comparado com igual período de 2022, revela a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

No balanço, aparecem as companhias de energia elétrica liderando as emissões, com total de R$ 15 BI.

Fonte: Plurale

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Fabiana Ceyhan

Jornalista por formação, Professora de Inglês (TEFL, Teaching English as a Foreigner Language). Estudou Media Studies na Goldsmiths University Of London e tem vasta experiência como Jornalista da área internacional, tradutora e professora de Inglês. Poliglota, já acompanhou a visita de vários presidentes estrangeiros ao Brasil. Morou e trabalhou 15 anos fora do país.