China fez grandes avanços na reformulação de sua própria economia,diz FMI

Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), numa entrevista à Xinhua durante as reuniões de primavera do FMI em Washington D.C., Estados Unidos, em abril de 2021. (Kim Haughton/FMI/distribuição via Xinhua)

Washington, abr (Xinhua) — A China fez grandes avanços na reformulação de sua própria economia com base na tecnologia e agora outros mercados emergentes estão obtendo um impulso dos mesmos motores digitais, disse nesta segunda-feira Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional.

Na cerimônia de abertura da conferência anual do Fórum Boao para a Ásia, Georgieva destacou três grandes mudanças globais, que incluem a transformação digital que foi acelerada pela pandemia de COVID-19.

Entre as economias que têm o maior setor de tecnologia da informação e comunicação por participação no produto interno bruto (PIB), 13 das 30 maiores estão no mundo emergente, observou ela.

“Para aproveitar ainda mais essa oportunidade, os governos devem aumentar os investimentos públicos inteligentes — especialmente em habilidades digitais e infraestrutura para construir uma força de trabalho do século 21.”

Outra grande mudança global é a mudança da recessão profunda para a recuperação, ressaltou a chefe do FMI.

Segundo ela, a previsão mais recente da entidade para o crescimento global está em 6% este ano e 4,4% em 2022, graças às “intervenções extraordinárias” dos governos, estimuladas pela perspectiva de expansão da vacinação.

No entanto, “não devemos dar como certa a recuperação”, pois há uma divergência perigosa na situação econômica entre e dentro dos países, alertou Georgieva, acrescentando que famílias vulneráveis e empresas viáveis precisarão de apoio contínuo enquanto a crise persistir.

“À medida que a recuperação se firma, os governos podem reduzir de forma gradual os programas de apoio — mas aumentar os subsídios de contratação direcionados e reciclagem e requalificação”, acrescentou.

A terceira grande mudança é o direcionamento para o crescimento resiliente e de baixo carbono em resposta às mudanças climáticas, assinalou a chefe do FMI, que saudou o compromisso da China de chegar à neutralidade até 2060.

De acordo com a análise do FMI, um impulso coordenado de infraestrutura verde combinado com precificação de carbono poderia impulsionar o PIB global nos próximos 15 anos em 0,7% ao ano e criar milhões de empregos.

“Em um mundo em mudança, uma coisa permanece constante: a importância da solidariedade entre os países”, enfatizou Georgieva.

Esta tem sido uma característica fundamental da crise. Não apenas as medidas fiscais e monetárias excepcionais, como também iniciativas como o Quadro Comum para a resolução ordenada da dívida, concordado pelo Grupo dos 20, e a possível nova alocação de Direitos Especiais de Saque de US$ 650 bilhões do FMI, segundo ela.

“Ao fortalecer ainda mais este tipo de cooperação global, podemos transformar o mundo de mudanças em um mundo de oportunidades para todos”, acrescentou.

Jornalista por formação, Professora de Inglês (TEFL, Teaching English as a Foreigner Language). Estudou Media Studies na Goldsmiths University Of London e tem vasta experiência como Jornalista da área internacional, tradutora e professora de Inglês. Poliglota, já acompanhou a visita de vários presidentes estrangeiros ao Brasil. Morou e trabalhou 15 anos fora do país.