Após passar por importantes capitais brasileiras, a exposição “1 Julgamento, 4 Línguas – Os pioneiros da interpretação simultânea em Nuremberg” chega a Brasília, onde está em cartaz na Biblioteca Nacional de Brasília desde o dia 16 de março. A mostra apresenta ao público um dos marcos mais relevantes da história da comunicação internacional: o uso inédito da interpretação simultânea durante os Julgamentos de Nuremberg, realizados entre 1945 e 1946.

A exposição destaca o trabalho de uma equipe formada por cerca de 30 intérpretes, responsáveis por traduzir, em tempo real, depoimentos e acusações em quatro idiomas — inglês, francês, russo e alemão. Essa inovação foi essencial para garantir o direito de defesa e a compreensão plena entre juízes, promotores e réus, em um dos julgamentos mais complexos da história.

Uma inovação que transformou a diplomacia

Organizada pela AIIC Brasil e pela APIC, com apoio da Embaixada da Alemanha no Brasil, a mostra resgata o papel fundamental desses profissionais na consolidação da interpretação simultânea como padrão em eventos multilíngues.

Durante os julgamentos, os intérpretes enfrentaram desafios técnicos e emocionais significativos. Trabalhando em cabines, com equipamentos ainda rudimentares, eles se revezavam constantemente, compartilhando microfones e lidando com o alto nível de concentração exigido — muitas vezes sem suporte psicológico adequado, apesar do conteúdo sensível dos depoimentos.

Legado e impacto global

A técnica desenvolvida em Nuremberg estabeleceu as bases para a interpretação de conferência moderna, sendo posteriormente adotada por organismos internacionais ao redor do mundo. O evento é considerado o primeiro grande encontro multilíngue a utilizar a modalidade simultânea em larga escala.

A atual edição da exposição também celebra os 80 anos desse marco histórico, destacando sua relevância contínua para a diplomacia, a justiça internacional e a comunicação global.

Programação paralela

Além da exposição, o público poderá participar de uma série de palestras e debates realizados no local, sempre das 19h às 21h, abordando temas como o impacto dos julgamentos de Nuremberg na diplomacia, a evolução da interpretação de conferência e os desafios futuros da profissão.

A mostra permanece aberta ao público até o dia 10 de abril, oferecendo uma oportunidade única para conhecer de perto a história de uma prática que transformou a forma como o mundo se comunica em contextos internacionais