Brasileiros que vivem fora do país poderão enfrentar mudanças no processo de emissão e renovação de passaportes. O Ministério das Relações Exteriores orientou embaixadas e consulados a reduzir a emissão dos documentos diante da limitação dos recursos disponíveis para o serviço consular.
Segundo o Itamaraty, a procura pelo documento ultrapassou as estimativas consideradas na elaboração do orçamento. O aumento da demanda elevou a necessidade de aquisição das cadernetas utilizadas na emissão dos passaportes, pressionando os recursos destinados à atividade.
O Ministério das Relações Exteriores é responsável por solicitar à Casa da Moeda a produção das cadernetas. Depois dessa etapa, os documentos são personalizados nos postos consulares brasileiros no exterior ou pela Polícia Federal quando a solicitação ocorre dentro do território nacional.
Número de solicitações cresce de forma acelerada
Os dados divulgados pelo Itamaraty mostram uma expansão expressiva na procura pelo passaporte brasileiro nos últimos anos.
Em 2024, foram emitidos aproximadamente 195,6 mil documentos no exterior. No ano seguinte, o número subiu para 274 mil, crescimento de cerca de 40%. A tendência permaneceu em 2026: somente nos seis primeiros meses do ano, foram emitidos 188,9 mil passaportes, volume 26% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Julho apresentou um cenário ainda mais intenso. Mais de 33 mil pedidos foram registrados no mês, estabelecendo o maior volume mensal de solicitações já contabilizado pelo serviço consular brasileiro.
O aumento da procura acabou superando a previsão orçamentária utilizada para calcular a quantidade de material necessário para atender aos brasileiros residentes no exterior.
Consulados adotam mudanças no atendimento
A restrição de recursos já começou a provocar alterações práticas em alguns postos diplomáticos.
O Consulado-Geral do Brasil em Miami, por exemplo, comunicou mudanças no procedimento de entrega dos passaportes. A partir de 30 de julho, os documentos passaram a ser emitidos diretamente pela Casa da Moeda e deixaram de ser entregues necessariamente durante o atendimento consular.
Brasileiros que já possuem agendamento foram orientados a consultar o consulado sobre as opções disponíveis para receber o documento. Entre as alternativas estão o envio pelos Correios e a retirada posterior na própria unidade consular.
A mudança representa uma adaptação operacional diante do cenário de restrição de recursos e da elevada quantidade de solicitações.
Medida ocorre após aumento da procura
A decisão do Itamaraty ocorre em um momento de crescimento contínuo na demanda por documentos de viagem. A elevação registrada desde 2024 fez com que o volume de passaportes emitidos se aproximasse, já no primeiro semestre de 2026, de praticamente todo o total contabilizado no exterior dois anos antes.
O cenário impõe desafios para a estrutura consular brasileira, responsável por prestar serviços a cidadãos que vivem ou estão temporariamente fora do país.
Embora a orientação seja reduzir a emissão diante da limitação financeira, o aumento da procura também exige ajustes para evitar impactos maiores sobre quem precisa renovar o documento ou obter um novo passaporte para viajar.
Brasileiros no exterior devem acompanhar orientações locais
Com as mudanças, a recomendação para quem precisa emitir ou renovar o passaporte é acompanhar as informações divulgadas pelo consulado responsável pela região onde reside.
Os procedimentos podem variar de acordo com o posto consular, especialmente em relação a agendamento, pagamento, produção e entrega do documento. No caso de Miami, por exemplo, já foram estabelecidas novas formas de recebimento.
O episódio evidencia a pressão crescente sobre o serviço consular brasileiro. Enquanto a demanda por passaportes continua avançando, o Itamaraty precisa administrar os recursos disponíveis para manter o atendimento aos cidadãos brasileiros espalhados pelo mundo.









