A Embraer vem ampliando sua presença no mercado mundial de aviação em um momento de forte demanda por novas aeronaves e dificuldades de produção enfrentadas pelas duas maiores fabricantes do setor, Boeing e Airbus.

Um dos principais marcos recentes da companhia brasileira ocorreu no início de setembro, quando a empresa entregou à Azul o 2.000º avião da família E-Jets. O modelo foi um E195-E2, reforçando a trajetória internacional de uma linha de aeronaves que já se tornou uma das mais relevantes da aviação comercial.

Família E-Jets alcança marca de 2 mil aeronaves

Desde que entrou em operação comercial, em 2004, a família E-Jets conquistou espaço entre companhias aéreas de diferentes regiões.

Os aviões da linha já foram utilizados por mais de 90 empresas em aproximadamente 60 países, transportando mais de 2,8 bilhões de passageiros. O alcance da família E-Jets ajudou a consolidar a Embraer como referência mundial no segmento de aeronaves comerciais com capacidade de até 150 passageiros.

O 2.000º jato entregue representa, portanto, um marco industrial para a fabricante brasileira e ocorre em um período de expansão de sua carteira de pedidos.

Carteira de pedidos da Embraer bate recorde

A companhia encerrou o segundo trimestre de 2026 com uma carteira de pedidos firmes de US$ 34,5 bilhões, maior valor registrado pela empresa até então.

O resultado representou o sétimo recorde trimestral consecutivo. Somente a divisão de Aviação Comercial possuía uma carteira de US$ 15,1 bilhões, impulsionada principalmente pela demanda pelos modelos da família E2.

Na área de Defesa e Segurança, o backlog alcançou US$ 6,1 bilhões, enquanto a Aviação Executiva registrou US$ 7,8 bilhões.

Gargalos de produção abrem espaço no mercado

A expansão da Embraer ocorre em paralelo a dificuldades enfrentadas por Boeing e Airbus para acompanhar a demanda global por aeronaves.

Problemas na cadeia de fornecedores, disponibilidade de motores, componentes e mão de obra especializada estão entre os fatores que limitam a velocidade de produção do setor.

Nesse cenário, as aeronaves da Embraer ocupam um segmento específico do mercado, atendendo companhias que precisam de aviões menores para rotas de média demanda e operações entre cidades que nem sempre justificam o uso de aeronaves maiores.

A situação também ganhou atenção internacional, com análises apontando que os problemas de capacidade das grandes fabricantes podem criar oportunidades adicionais para a empresa brasileira.

E2 ganha espaço entre companhias aéreas

A família E2 tornou-se um dos principais motores da expansão comercial da Embraer.

O programa já ultrapassou 500 pedidos firmes, com clientes distribuídos por diferentes continentes. O E195-E2, maior integrante da família, tem sido utilizado como alternativa para operações nas quais a capacidade de aeronaves maiores pode não ser necessária.

Um exemplo recente foi o acordo firmado com o Grupo Abra, controlador de companhias como Avianca, Gol e Wamos Air. O negócio prevê a aquisição de 20 E195-E2, além de opções e direitos de compra que podem elevar o total para até 45 aeronaves.

Aviação executiva e defesa ampliam atuação

A estratégia da Embraer não está concentrada apenas na aviação comercial.

Na área executiva, a companhia ampliou sua carteira de pedidos e avançou com novos modelos, enquanto o segmento de Defesa e Segurança ganhou impulso com o C-390 Millennium.

O cargueiro militar brasileiro vem conquistando novos clientes internacionais, contribuindo para o crescimento da carteira de defesa da empresa. O contrato com os Emirados Árabes Unidos também teve papel relevante no desempenho da divisão.

Essa diversificação permite que a Embraer atue simultaneamente nos mercados comercial, executivo e militar.

Próximo passo pode ampliar ainda mais a disputa

Com o crescimento da carteira de pedidos e a expansão internacional, a Embraer também avalia oportunidades para avançar em segmentos atualmente dominados por Boeing e Airbus.

Um possível projeto de aeronave de corredor único maior representaria uma mudança significativa de escala para a companhia brasileira, mas exigiria investimentos elevados, parceiros industriais e uma estrutura global de produção e fornecedores.

Enquanto esse eventual projeto permanece em avaliação, a Embraer concentra sua expansão nos segmentos em que já possui presença consolidada, especialmente aeronaves regionais, jatos executivos e aviação de defesa.