A mineradora brasileira Vale firmou um contrato de afretamento de 25 anos com a empresa chinesa Shandong Shipping Corporation para a construção dos dois primeiros navios transoceânicos do mundo movidos a etanol. A informação foi confirmada pelo diretor de navegação da companhia, Rodrigo Bermelho, em entrevista à Reuters.
O acordo prevê que o armador chinês será responsável pela construção das embarcações, que deverão integrar a estratégia de descarbonização da frota utilizada pela mineradora no transporte internacional de minério de ferro.
Os navios serão do tipo Guaibamax de segunda geração, com aproximadamente 340 metros de comprimento e capacidade para transportar até 325 mil toneladas de minério. A previsão é de que as embarcações sejam entregues a partir de 2029.
Além da propulsão baseada em etanol, as embarcações serão equipadas com velas rotativas capazes de aproveitar a energia dos ventos para auxiliar na navegação. O projeto também inclui motores mais eficientes e dispositivos hidrodinâmicos destinados a reduzir o consumo energético e aumentar a eficiência operacional.
A iniciativa surge em um momento de instabilidade no mercado global de energia, marcado pela guerra envolvendo o Irã e tensões que afetaram o fluxo de petróleo pelo estratégico Estreito de Ormuz. As disrupções na região elevaram preocupações internacionais sobre segurança energética e logística marítima, ampliando o interesse por combustíveis alternativos no setor de transporte.
Nesse contexto, projetos voltados à diversificação energética e à redução de emissões ganham relevância crescente na indústria naval. Para a Vale, a adoção de etanol como combustível marítimo pode representar uma alternativa viável para reduzir a pegada de carbono de suas operações de transporte, ao mesmo tempo em que amplia a resiliência da cadeia logística diante das oscilações no mercado global de petróleo.
A iniciativa também reforça o papel do Brasil como potencial fornecedor de combustíveis renováveis para o transporte marítimo internacional, em um momento em que o setor busca soluções tecnológicas capazes de conciliar eficiência logística e metas climáticas globais.









