O mega projeto bilionário da Turquia que vai cortar o país ao meio

A Turquia está construindo um novo canal em Istambul para desafogar o congestionado Estreito de Bósforo e capitalizar sua posição estratégica

Istambul, a maior cidade da Turquia, se destaca não só por sua rica história, mas também por sua localização estratégica que conecta a Europa e a Ásia. Com uma população que representa cerca de 20% de todo o país, a cidade abriga o vital Estreito de Bósforo, um corredor crucial para o comércio marítimo global. Contudo, a Turquia agora visa construir um novo canal que promete mudar a dinâmica do comércio internacional, de acordo com o site Construction Time.

Importância geopolítica do estreito de Bósforo, na Turquia

O Estreito de Bósforo é uma das passagens marítimas mais importantes do mundo, ligando o Mar Negro ao Mar Mediterrâneo. Ele permite que navios de países como Rússia, Bulgária, Romênia, Geórgia e Ucrânia acessem o Mediterrâneo e, consequentemente, o Oceano Atlântico. Este estreito é a única saída marítima para esses países durante o inverno, tornando-o essencial para suas economias.

Além disso, o Bósforo é uma rota chave para o transporte de gás natural da Rússia para a Europa, crucial para o aquecimento e geração de energia no continente. A ligação entre os portos de Xangai e Roterdã também depende deste estreito, sublinhando sua importância para o comércio entre a Ásia e a Europa.

O novo canal de Istambul

O governo turco, liderado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan, anunciou a construção do Canal de Istambul, um projeto avaliado em aproximadamente 15 bilhões de dólares. Este novo canal, com cerca de 40 km de extensão, será localizado a 30 km a oeste do Bósforo. A construção visa desafogar o congestionado estreito, por onde transitam cerca de 40 mil navios anualmente, gerando longas esperas e atrasos nas entregas.

O novo canal de Istambul permitirá a passagem de até 160 navios por dia, reduzindo significativamente o congestionamento e os riscos associados ao transporte de cargas perigosas, como o petróleo. Atualmente, o Bósforo corta o centro comercial de Istambul, expondo a cidade a riscos de acidentes.

Benefícios econômicos e estratégicos do projeto da Turquia

Um dos principais objetivos do novo canal é permitir à Turquia cobrar tarifas de passagem, o que não é possível no Bósforo devido à Convenção de Montreux, assinada em 1936. Esta convenção isenta navios de países do Mar Negro de tarifas para passar pelo Bósforo, privando a Turquia de uma fonte significativa de receita. O novo canal, por não ser coberto por essa convenção, permitirá que o país monetize sua localização estratégica.

A expectativa é que o novo canal de Istambul gere cerca de 8 bilhões de dólares por ano em receitas, recuperando o investimento inicial em menos de dois anos. Além do benefício econômico direto, o canal também promete aliviar a pressão sobre o Bósforo, melhorando a segurança e a eficiência do comércio marítimo.

Controvérsias e desafios

Apesar dos benefícios prometidos, o projeto enfrenta forte oposição interna e externa. Pesquisas indicam que 80% da população turca é contra a construção do novo canal, preocupada com a destruição de áreas residenciais e impactos ambientais significativos. Além disso, a oposição aponta para um possível conflito de interesse, já que terras ao longo do trajeto do canal pertencem ao genro do presidente Erdogan, que também é o ministro da economia.

Externamente, a Rússia expressou preocupação com o projeto, pois poderia reduzir a sua influência no controle do tráfego marítimo na região. No entanto, o governo turco permanece firme, afirmando que os benefícios superam os desafios e que o projeto trará mais segurança e prosperidade para o país.

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Fabiana Ceyhan

Jornalista por formação, Professora de Inglês (TEFL, Teaching English as a Foreigner Language). Estudou Media Studies na Goldsmiths University Of London e tem vasta experiência como Jornalista da área internacional, tradutora e professora de Inglês. Poliglota, já acompanhou a visita de vários presidentes estrangeiros ao Brasil. Morou e trabalhou 15 anos fora do país.