A história da imigração católica agrícola coreana no Brasil ganhará destaque em Curitiba com uma exposição especial que celebra seis décadas da chegada dos primeiros pioneiros ao país. A mostra será aberta ao público no dia 24 de junho, no hall da Biblioteca Pública do Paraná, reunindo documentos, fotografias e materiais históricos que retratam uma das mais importantes trajetórias migratórias da história recente brasileira.

A iniciativa busca preservar a memória da comunidade coreana, destacar a relevância da educação e da fé em sua formação social e apresentar ao público aspectos marcantes da cultura e da identidade coreana. A exposição permanecerá aberta até o dia 10 de julho, com entrada gratuita.

Os visitantes poderão conhecer registros fotográficos da viagem dos primeiros imigrantes, imagens da instalação da comunidade na Fazenda Santa Maria, além de reportagens históricas e documentos que retratam os desafios enfrentados pelas famílias que decidiram construir uma nova vida em território brasileiro.

Além do material histórico, a mostra contará com uma seleção de livros bilíngues doados pela Associação dos Coreanos. O acervo inclui obras literárias, publicações sobre arte, tradições e cultura da Coreia, além de títulos voltados ao público infantojuvenil, que passam a integrar a coleção da Biblioteca Pública do Paraná.

Segundo representantes da comunidade coreana, a escolha da biblioteca como sede da exposição possui significado especial. A educação sempre ocupou posição central na cultura coreana, e a realização da mostra em um espaço amplamente frequentado por estudantes e pela população paranaense reforça esse legado.

A exposição também relembra a jornada dos primeiros imigrantes. Em novembro de 1965, 53 famílias católicas deixaram a cidade de Busan, na Coreia do Sul, em direção ao Brasil. Após chegarem ao Rio de Janeiro em janeiro de 1966, seguiram para o Paraná, onde desembarcaram em Paranaguá e iniciaram uma nova etapa de suas vidas no interior do estado.

Na região de Tibagi, os pioneiros estabeleceram a Fazenda Santa Maria. Em meio a desafios climáticos, culturais e linguísticos, construíram moradias, prepararam áreas para cultivo agrícola e desenvolveram atividades que garantiram a sobrevivência das famílias nos primeiros anos da colonização.

A trajetória da comunidade foi marcada por valores como disciplina, cooperação, perseverança e dedicação ao trabalho. A busca pela educação tornou-se um dos principais instrumentos de ascensão social. Muitos jovens enfrentavam longos deslocamentos diários para frequentar escolas e, posteriormente, conquistaram formação superior em áreas como medicina, engenharia e direito.

Ao longo das décadas, a presença coreana contribuiu para fortalecer os laços culturais e econômicos entre Brasil e Coreia do Sul. Atualmente, o Paraná abriga importantes investimentos de empresas sul-coreanas e recebe eventos ligados à cultura do país asiático, incluindo festivais de cinema, gastronomia e manifestações culturais que ganharam projeção internacional por meio do K-Pop, dos K-Dramas e da indústria da beleza coreana.

Mais do que uma homenagem ao passado, a exposição busca destacar o legado deixado pelas famílias pioneiras e a contribuição da comunidade coreana para a diversidade cultural, o desenvolvimento econômico e o intercâmbio entre os dois países.

Serviço

Exposição: 60 anos da Imigração Católica Agrícola Coreana no Brasil

Período: 24 de junho a 10 de julho de 2026

Horário de visitação: de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 20h, e aos sábados, das 8h30 às 13h

Local: Biblioteca Pública do Paraná, Hall Térreo, Curitiba (PR)

Entrada gratuita.