Na noite de ontem, o governo dos Estados Unidos anunciou sua decisão de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros como resultado da investigação conduzida com base na Seção 301 contra o Brasil.
As investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais conduzidos pelo governo dos Estados Unidos, e não há justificativa para a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros.
Desde março de 2025, o governo brasileiro realizou mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone com autoridades norte-americanas, em níveis presidencial, ministerial e técnico.
Somente com Jamieson Greer e Marco Rubio foram realizados 11 contatos, incluindo encontros entre os dois presidentes.
O Brasil, portanto, vem negociando com os Estados Unidos desde antes da primeira rodada de tarifas anunciada em 2 de abril de 2025.
Naquele mesmo dia, antes do anúncio das tarifas, tive uma conversa telefônica com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
Na ocasião, o Brasil foi submetido a uma tarifa de 10%, o menor nível tarifário imposto pelos Estados Unidos a qualquer país.
Após a carta enviada pelo presidente Donald Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 9 de julho de 2025, as tarifas foram elevadas para 50% por razões explicitamente políticas, em uma tentativa de interferir no Poder Judiciário brasileiro.
E foi justamente nessa carta — na qual o presidente Trump ameaçou impor tarifas de 50% ao Brasil caso os processos contra o ex-presidente brasileiro não fossem imediatamente interrompidos — que o Representante de Comércio dos Estados Unidos foi instruído a iniciar uma investigação com base na Seção 301 contra o Brasil.
Desde o início, o presidente Lula buscou o diálogo e destacou sua disposição para negociar qualquer tema.
Nesse contexto, as declarações do secretário de Estado Marco Rubio sobre as tarifas impostas ao Brasil, publicadas nas redes sociais na madrugada de hoje, são inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros.
Rubio ataca de forma grosseira e arrogante o chefe de Estado de um país amigo.
O que claramente incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se submetido às exigências excessivas e às condições desarrazoadas apresentadas durante as negociações.
Por exemplo, foi exigido que setores inteiros da economia brasileira fossem totalmente abertos, sem restrições e de forma exclusiva aos Estados Unidos, sem qualquer concessão equivalente para os produtos brasileiros.
Em outras palavras, exigiram a capitulação do Brasil.
Vale reiterar que os Estados Unidos acumularam um superávit comercial de US$ 424 bilhões em bens e serviços nas relações com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos.
Em 2025, 76% das importações provenientes dos Estados Unidos ingressaram no Brasil sem incidência de imposto de importação, incluindo oito dos dez principais produtos importados pelo Brasil daquele país.
Apesar da motivação política, o governo brasileiro participou ativamente da investigação por meio de canais diretos entre os dois governos desde a abertura do processo, em 15 de julho de 2025.
O Brasil apresentou duas manifestações formais ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em 18 de agosto e 10 de setembro de 2025, demonstrando que as políticas e práticas brasileiras objeto da investigação são legítimas, não discriminatórias e não causam prejuízo ao comércio norte-americano.
Uma delegação brasileira de alto nível realizou consultas governamentais com autoridades dos Estados Unidos em Washington nos dias 15 e 16 de abril de 2026.
Também é importante lembrar que, do ponto de vista jurídico, a investigação da Seção 301 serviu para compensar as consequências da derrota sofrida pelo governo dos Estados Unidos perante a Suprema Corte norte-americana em relação à sua política unilateral de impor tarifas a todos os países.
Portanto, não havia qualquer fundamento racional para a imposição dessas tarifas.
As alegações e declarações de autoridades norte-americanas a respeito do Pix são infundadas.
O Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central do Brasil e está disponível para todas as instituições financeiras que operam no país.
Não é crível afirmar que o Pix represente concorrência desleal.
As acusações relativas ao desmatamento também são absurdas. Desde 2022, reduzimos significativamente o desmatamento nos biomas Amazônia e Cerrado.
Esses são apenas dois exemplos.
Todas as alegações apresentadas pelas autoridades dos Estados Unidos para justificar a imposição das tarifas não encontram respaldo na realidade.









