A Embaixada da República Árabe do Egito no Brasil comemorou, em Brasília, o Dia Nacional do país, que marca o 74º aniversário da Revolução de 1952. A cerimônia reuniu autoridades, integrantes do corpo diplomático e convidados para celebrar a data e evidenciar os avanços da relação bilateral entre Egito e Brasil.

Durante o evento, a embaixadora Mai Taha Khalil anunciou que encerrará sua missão diplomática no Brasil no fim de agosto e fez um balanço dos principais resultados alcançados ao longo de sua gestão. Em seu discurso, ressaltou que Brasil e Egito mantêm mais de um século de relações diplomáticas, sustentadas pelo diálogo político, pela cooperação econômica e pela atuação conjunta em temas de interesse comum no cenário internacional.

Entre os marcos recentes da parceria, a diplomata destacou a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Egito, realizada em fevereiro de 2024. Na ocasião, os dois países elevaram suas relações ao nível de Parceria Estratégica e firmaram novos acordos destinados a ampliar a cooperação em diferentes áreas.

A embaixadora também lembrou a participação do presidente egípcio Abdel Fattah el-Sissi na Cúpula do G20, realizada no Rio de Janeiro em novembro de 2024, ocasião em que manteve encontros com o presidente brasileiro para discutir novas oportunidades de cooperação bilateral.

Outro destaque foi a atuação do Egito na Cúpula do BRICS de 2025, no Rio de Janeiro, representado pelo primeiro-ministro Mostafa Madbouly. Segundo Mai Taha Khalil, a participação reforçou o compromisso egípcio com a ampliação da cooperação econômica, financeira e do diálogo entre os países do Sul Global.

Na área ambiental, a diplomata recordou a presença da delegação egípcia na COP30, realizada em Belém em 2025, quando Brasil e Egito defenderam maior apoio financeiro internacional aos países em desenvolvimento para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Ao abordar as relações econômicas, a embaixadora destacou que o Egito permanece como o principal parceiro comercial do Brasil no continente africano e o segundo entre os países árabes. A expectativa é que o intercâmbio comercial alcance cerca de US$ 5,1 bilhões, impulsionado pelo Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e o Egito, além da expansão dos investimentos, da transferência de tecnologia e da diversificação das parcerias empresariais.

A cooperação na área de defesa também foi lembrada durante a cerimônia. Nos últimos anos, Brasil e Egito ampliaram o intercâmbio de conhecimentos, treinamentos militares e a participação conjunta em eventos do setor, incluindo a presença de representantes brasileiros e da indústria nacional de defesa na EDEX 2025, realizada no Cairo.

No campo cultural, Mai Taha Khalil ressaltou iniciativas voltadas ao fortalecimento dos laços entre as duas sociedades, como a participação da ministra da Cultura, Margareth Menezes, na inauguração do Grande Museu Egípcio e a realização de uma celebração simultânea entre Brasil e Egito, com atividades promovidas aos pés do Cristo Redentor.

Ao tratar dos temas internacionais, a embaixadora afirmou que os dois países compartilham posições favoráveis ao fortalecimento do multilateralismo, da solução pacífica de controvérsias, do respeito ao direito internacional e da defesa da soberania dos Estados. Em relação ao Oriente Médio, reiterou a preocupação do Egito com os conflitos na região e destacou a importância do diálogo diplomático e da ampliação da assistência humanitária às populações afetadas.

Encerrando sua participação, Mai Taha Khalil reafirmou o compromisso do Egito em continuar aprofundando a cooperação com o Brasil, ampliando as parcerias em áreas estratégicas e fortalecendo a atuação conjunta em fóruns internacionais voltados ao desenvolvimento sustentável, à paz e à cooperação entre as nações.