OInstituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Ministério do Turismo (MTur) e a Vale assinaram, na última quinta-feira, um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para promover a estruturação do uso público e o fortalecimento do turismo sustentável no Parque Nacional dos Campos Ferruginosos, localizado nos municípios de Canaã dos Carajás e Parauapebas, no sudeste do Pará.
A assinatura ocorreu na Vice-Presidência da República, em Brasília (DF), com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; do ministro do Turismo, Gustavo Costa Feliciano; da diretora de Criação e Manejo de Unidades de Conservação (DIMAN) do ICMBio, Iara Vasco; além de representantes da mineradora Vale.
A cooperação tem como principais objetivos diversificar e qualificar as oportunidades de visitação, melhorar a experiência do visitante, atrair investimentos estratégicos para a região, valorizar as comunidades locais e indígenas e garantir a conservação dos recursos naturais e culturais da Unidade de Conservação (UC) federais.
De acordo com a diretora Iara Vasco, o ACT representa um avanço importante para consolidar o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos como destino de turismo sustentável. “Os investimentos previstos permitirão estruturar e qualificar a visitação com mais planejamento, segurança e organização, ampliando o acesso da população ao patrimônio natural protegido e fortalecendo a conservação da unidade por meio do uso público responsável”, afirmou.
A parceria prevê a elaboração de diagnósticos, instrumentos técnicos, planos operacionais e ações iniciais de implementação física e infraestrutura voltadas ao uso público do Parque. Entre as iniciativas estão o planejamento da visitação, projetos de sinalização e interpretação ambiental, protocolos de segurança, programas de monitoramento e ações voltadas ao turismo de base comunitária.
Um dos principais focos do acordo é o fortalecimento do Turismo de Base Comunitária (TBC), que será desenvolvido de forma participativa, com envolvimento direto das comunidades locais em oficinas, consultas, entrevistas e ações de planejamento. A proposta inclui a elaboração do Plano de Visitação para o Turismo de Base Comunitária (PVIS), instrumento que deverá orientar o modelo de fomento, gestão e monitoramento da atividade na unidade.
O plano deve contemplar o diagnóstico do potencial turístico da região, o mapeamento de referências culturais e atributos naturais, a avaliação da infraestrutura existente, a criação de roteiros, a definição de regras de conduta e segurança. Isto, além de um plano de negócios simplificado, com mecanismos de organização financeira, precificação de serviços e repartição de benefícios entre as comunidades envolvidas.
Também estão previstas ações de capacitação contínua para qualificar membros das comunidades locais, condutores, agentes de visitação, empreendedores, prestadores de serviços e equipes de gestão da UC.
Além do planejamento, o acordo prevê a implementação prática de experiências-piloto. A expectativa é estruturar e testar de um a dois roteiros ou experiências TBC, que passarão por fases de teste, operação assistida e validação junto às comunidades selecionadas.
Iara Vasco enfatiza que o acordo deve ampliar as oportunidades de geração de renda e fortalecer a valorização do território. “Os resultados já demonstram esse potencial, de 2025 até o início de 2026, as unidades de conservação de Carajás receberam cerca de 15 mil visitantes e a atividade dos 89 condutores credenciados pelo ICMBio gerou mais de R$ 1,2 milhão em remuneração. Com os novos investimentos, a expectativa é fortalecer ainda mais essa cadeia econômica sustentável, valorizando o território e as comunidades locais”, destacou.
Criado em 2017, o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos possui mais de 79 mil hectares e integra o mosaico de áreas protegidas de Carajás, que reúne cerca de 1,2 milhão de hectares de áreas conservadas. A região forma um dos mais importantes blocos contínuos de floresta amazônica do sudeste paraense e abriga relevante patrimônio natural, cultural e paisagístico.
Fonte: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade









