Em uma cerimônia marcada pela profunda reflexão sobre a dignidade humana, o Congresso Nacional realizou a sessão solene em memória das vítimas do Holocausto (Yom HaShoá). O evento reuniu vozes da diplomacia, da academia e sobreviventes para reafirmar que a memória do genocídio nazista deve servir como um guia moral para o presente, combatendo a indiferença e o crescimento da intolerância.

O Deputado Gilberto Abramo (Republicanos) abriu as reflexões destacando que o Holocausto não foi fruto de um momento súbito, mas construído passo a passo por meio de concessões morais e do silêncio de pessoas comuns. No que o deputado falou: “A pergunta mais honesta que possamos fazer não é como isso aconteceu, mas o que estamos tolerando agora que no futuro será incompreensível? A história não se repete como um roteiro, mas ela ecoa. E às vezes, o que falta não é memória. É coragem.”

O cientista político André Lajst reforçou que o combate ao antissemitismo é, acima de tudo, uma afirmação de valores que sustentam a própria civilização. No que ele falou: “O antissemitismo nunca foi apenas um problema da comunidade judaica. Ele é um indicador do estado moral de uma sociedade. Onde ele é relativizado, a própria democracia se fragiliza. Que o ‘nunca mais’ deixe de ser apenas uma expressão simbólica e se torne uma diretriz concreta.”

O testemunho de Gabriel Waldman, sobrevivente do Holocausto, trouxe a dimensão humana e irreparável da tragédia. No que o sobrevivente falou: “Não existe vocabulário que possa dar conta de Auschwitz. Tínhamos uma vasta história de como morrer e muita pouca história de como viver. Seis mortes é uma tragédia. Seis milhões é estatística.” Waldman relembrou a angústia de ter que medir cada passo e cada direção para tentar sobreviver em meio ao horror.

A atualidade do preconceito foi abordada por Rasha Athamini, Encarregada de Negócios da Embaixada de Israel, que alertou que o ódio não pertence apenas ao passado. Ela enfatizou que esse sentimento nunca desaparece sozinho, apenas muda sua linguagem e aparência, manifestando-se hoje em incidentes antissemitas e redes neonazistas organizadas silenciosamente no ambiente digital.
Encerrando a sessão, a Deputada Carla Dickson, presidente da Frente Parlamentar Brasil-Israel, enfatizou a importância da vigilância constante. No que a deputada falou: “Permanecer unidos contra todos os atos de antissemitismo. O Holocausto nos ensinou que o mal não começa com violência extrema. Que esta sessão não seja apenas um ato simbólico.” Dickson reforçou que a união institucional é a única barreira eficaz contra a erosão da tolerância.