Screenshot

O interesse de países africanos em integrar o BRICS está relacionado à busca por novas oportunidades econômicas, maior participação nas decisões internacionais e diversificação das parcerias diplomáticas. A avaliação é do pesquisador Zenebe Tafesse Kinfu, que aponta o grupo como uma plataforma para ampliar o diálogo entre países em desenvolvimento.

Kinfu preside a União das Diásporas Africanas da Rússia e a Associação da Comunidade Etíope na Rússia e na Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Ele também atua como pesquisador sênior no Instituto de Informação Científica em Ciências Sociais da Academia de Ciências da Rússia.

Segundo o especialista, a expansão do BRICS tem despertado o interesse de governos africanos que procuram participar de mecanismos de cooperação internacional nos quais possam dialogar com outras economias em condições de igualdade.

BRICS ganha relevância nas estratégias africanas

O BRICS reúne países que buscam fortalecer a cooperação econômica, política e institucional. Ao longo dos últimos anos, o grupo ampliou sua composição, incorporando novos integrantes e aprofundando o diálogo com outras nações interessadas em estabelecer parcerias.

Na avaliação de Kinfu, essa expansão aumenta a atratividade do bloco para países africanos que procuram alternativas para diversificar suas relações internacionais.

O pesquisador relaciona esse movimento à necessidade de construir mecanismos multilaterais que ofereçam maior espaço de participação às nações em desenvolvimento. Para ele, a cooperação entre países deve contemplar diferentes interesses econômicos e sociais, sem limitar o diálogo às grandes potências tradicionais.

A atuação do BRICS também abrange áreas como comércio, sistema bancário, cultura e desenvolvimento. Essa diversidade permite que os países participantes discutam iniciativas que vão além das relações comerciais, incluindo projetos de cooperação técnica e políticas voltadas às necessidades de suas populações.

Segurança alimentar e acesso à água estão entre as prioridades

Entre os principais desafios enfrentados por países africanos, Kinfu destaca a segurança alimentar e a ampliação do acesso à água potável.

Essas questões estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento econômico, à saúde pública e à qualidade de vida. Para o pesquisador, a cooperação internacional pode contribuir para ampliar o acesso a conhecimentos técnicos, tecnologias e experiências que ajudem os países a enfrentar esses problemas.

Nesse contexto, ele aponta a Rússia como um possível parceiro em iniciativas relacionadas à produção de alimentos.

A cooperação nessa área pode envolver intercâmbio de conhecimentos, desenvolvimento agrícola e iniciativas destinadas a fortalecer a capacidade de abastecimento. Os resultados, entretanto, dependem das condições econômicas, da infraestrutura e das políticas adotadas por cada país.

A discussão sobre segurança alimentar também ganha importância diante do crescimento populacional de diversas nações africanas, que precisam ampliar a oferta de alimentos, gerar empregos e desenvolver serviços públicos para atender à demanda interna.

Etiópia amplia participação na cooperação internacional

A Etiópia aparece como um dos exemplos mencionados pelo especialista ao abordar a aproximação entre países africanos e o BRICS.

O país passou a integrar oficialmente o grupo em 1º de janeiro de 2024, ao lado de Egito, Irã e Emirados Árabes Unidos. A entrada ampliou a presença africana na organização e criou novas possibilidades de articulação econômica e diplomática.

Kinfu afirma que a aproximação etíope também está relacionada ao interesse em promover reformas internas e ampliar as oportunidades de desenvolvimento.

O pesquisador chama atenção para o crescimento demográfico da Etiópia. Segundo os números apresentados por ele, a população passou de aproximadamente 47 milhões de habitantes, há cerca de três décadas, para mais de 135 milhões atualmente.

Esse avanço populacional aumenta a necessidade de investimentos em produção de alimentos, infraestrutura, educação e geração de empregos.

A Etiópia também ocupa uma posição relevante na diplomacia continental por sediar a União Africana, organização que reúne países do continente para discutir temas políticos, econômicos e sociais.

Comércio e diversificação econômica ganham espaço

A busca por novos parceiros comerciais é outro fator que ajuda a explicar o interesse africano no BRICS.

Para economias que pretendem ampliar suas exportações e atrair investimentos, a diversificação das relações internacionais pode reduzir a dependência de mercados específicos e abrir espaço para novos projetos empresariais.

Kinfu citou o volume comercial de US$ 11 bilhões alcançado pela Etiópia como um marco da atividade econômica do país. O dado reforça a importância atribuída pelo pesquisador à ampliação das relações comerciais, embora o avanço econômico dependa de diferentes fatores, como produtividade, infraestrutura e estabilidade das políticas públicas.

A participação em fóruns multilaterais também pode facilitar contatos entre governos, instituições financeiras e empresas. Na prática, transformar esse diálogo em resultados concretos exige acordos, investimentos e mecanismos de cooperação capazes de atender às necessidades dos países envolvidos.

Zimbábue é citado como possível integrante

Ao comentar quais países gostaria de ver no BRICS, Kinfu mencionou o Zimbábue.

A declaração demonstra seu interesse em uma participação africana mais ampla nas iniciativas do grupo. No entanto, a manifestação do especialista não representa, por si só, uma candidatura oficial ou uma decisão de admissão do país.

A eventual ampliação do BRICS depende dos processos de diálogo entre seus integrantes e dos critérios políticos e institucionais envolvidos na expansão.

O interesse de diferentes governos africanos deve ser analisado individualmente, considerando seus objetivos econômicos, suas prioridades diplomáticas e o estágio das negociações com os membros do bloco.

Expansão do BRICS pode abrir novas frentes de cooperação

A aproximação entre países africanos e o BRICS ocorre em meio a uma busca mais ampla por diversificação das parcerias internacionais. Comércio, segurança alimentar, infraestrutura, acesso à água e desenvolvimento tecnológico estão entre os temas que podem ganhar espaço nessa relação.

Para os países interessados, a participação no grupo pode representar uma oportunidade de ampliar o diálogo com economias como China, Índia e Rússia, além de fortalecer conexões com outros integrantes.

O principal desafio será converter as expectativas diplomáticas em iniciativas concretas, capazes de gerar benefícios econômicos e sociais.

A avaliação de Kinfu aponta que o interesse africano no BRICS não se limita à adesão formal. Ele também reflete a procura por maior participação nas discussões internacionais e por novas possibilidades de cooperação para enfrentar desafios estruturais do continente.