O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer críticas contundentes ao chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, chamando-o de “ladrão corrupto” durante um discurso realizado na sexta-feira, 23 de outubro, em um jantar anual da Fundação Faro. As declarações ocorreram apenas dois dias depois de Milei ter classificado Sánchez como “ditador impresentável” durante uma visita a Madri, ampliando o confronto verbal entre os dois líderes.

Na nova manifestação, o presidente argentino também criticou as políticas migratórias europeias e afirmou que a falta de reformas nos sistemas de pensões, combinada à redução das taxas de natalidade e à entrada de imigrantes, colocaria em risco a continuidade cultural da Europa. As afirmações fazem parte das críticas recorrentes de Milei aos governos de orientação socialista e às políticas públicas adotadas por países europeus.

Críticas durante visita à Espanha

A escalada de declarações começou durante a visita de Milei a Madri, em 21 de outubro. Em um evento do Nueva Economía Fórum, o presidente argentino atacou a gestão de Sánchez, associou o socialismo à deterioração econômica e incentivou os eleitores espanhóis a retirar os socialistas do poder nas eleições gerais previstas para 29 de novembro.

Milei também criticou a política migratória espanhola e acusou o governo de utilizar a imigração com objetivos eleitorais. As declarações foram feitas em meio à pré-campanha eleitoral e provocaram reações de integrantes do governo espanhol.

Governo espanhol condena declarações

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Espanha condenou os insultos e as acusações do presidente argentino, classificando suas declarações como uma interferência externa nos assuntos políticos do país. O governo espanhol afirmou que não aceita ataques às instituições democraticamente eleitas nem intervenções estrangeiras no debate político nacional.

Pedro Sánchez também respondeu publicamente às críticas. Em uma mensagem divulgada nas redes sociais, defendeu suas posições políticas e afirmou que medidas como o aumento das pensões, a elevação do salário mínimo e a defesa do direito ao aborto refletem suas convicções de esquerda.

O primeiro-ministro ainda advertiu que a chegada da direita ao poder poderia levar a Espanha a enfrentar consequências semelhantes às que ele atribui às políticas econômicas de Milei na Argentina.

Relações bilaterais em meio à disputa política

O novo episódio ocorre em um contexto de divergências ideológicas entre os dois dirigentes e de tensões diplomáticas anteriores. Em 2024, declarações de Milei contra a esposa de Sánchez provocaram uma crise entre Buenos Aires e Madri, levando o governo espanhol a retirar temporariamente seu embaixador da Argentina.

A repetição dos ataques em plena pré-campanha eleitoral espanhola acrescenta uma dimensão internacional à disputa política interna do país. As declarações também evidenciam as diferenças entre os dois governos em temas como política econômica, imigração, direitos sociais e o papel do Estado.