A corrida para escolher o próximo secretário-geral das Nações Unidas ganhou um novo nome com o anúncio da candidatura de Lana Nusseibeh, ministra de Estado dos Emirados Árabes Unidos e diplomata com ampla experiência no sistema multilateral. A entrada da candidata ocorre em uma fase decisiva do processo de sucessão de António Guterres, cujo mandato termina em 31 de dezembro de 2026.
Nusseibeh passa a disputar o cargo com outros nomes que buscam apoio dos integrantes do Conselho de Segurança da ONU. Entre eles está Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), que apareceu na liderança de uma consulta informal realizada entre diplomatas do Conselho.
A disputa ocorre em um momento de pressão sobre a organização, diante de conflitos internacionais, dificuldades de financiamento e questionamentos sobre sua capacidade de responder às crises globais. A possibilidade de eleger a primeira mulher para o comando da ONU também ganhou destaque nesta etapa do processo.
Lana Nusseibeh apresenta proposta de renovação da ONU
Com 48 anos, Nusseibeh construiu sua carreira na diplomacia dos Emirados Árabes Unidos e já atuou como embaixadora do país junto às Nações Unidas. Ela também esteve envolvida na campanha que levou os Emirados a conquistar um assento não permanente no Conselho de Segurança para o período de 2022 a 2023.
Ao anunciar sua candidatura, a diplomata defendeu uma atuação mais rápida e eficaz da organização, com prioridade para a paz, a segurança internacional, os direitos humanos e o desenvolvimento. Sua proposta também prevê reformas administrativas destinadas a concentrar esforços em resultados concretos.
Durante o mandato dos Emirados no Conselho de Segurança, Nusseibeh contribuiu para a aprovação da Resolução 2720, que estabeleceu mecanismos para facilitar a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. A experiência é apresentada como parte de sua trajetória de negociação e articulação diplomática.
Rebeca Grynspan permanece entre os principais nomes
Rebeca Grynspan, de 70 anos, continua entre as candidatas mais bem posicionadas. Na consulta informal mais recente mencionada pela Reuters, ela recebeu nove votos favoráveis, cinco contrários e uma abstenção. Dois dos votos contrários vieram de membros permanentes do Conselho de Segurança, fator que dificulta sua candidatura, já que qualquer um desses cinco países pode bloquear a indicação final.
A disputa também envolve Carolyn Rodrigues-Birkett, ex-ministra das Relações Exteriores da Guiana, e Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica. Outros nomes na corrida incluem Maria Fernanda Espinosa, ex-chanceler do Equador, e Macky Sall, ex-presidente do Senegal.
Grynspan defende o fortalecimento do multilateralismo e uma reforma institucional que permita à ONU responder de maneira mais eficiente aos conflitos e às desigualdades. Em declarações anteriores, destacou que a cooperação internacional será determinante para evitar um cenário de maior fragmentação e instabilidade global.
Como funciona a escolha do secretário-geral
A seleção do próximo secretário-geral começa no Conselho de Segurança, composto por 15 membros. Para que um nome seja recomendado à Assembleia Geral, são necessários pelo menos nove votos favoráveis e a ausência de veto de qualquer um dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.
Após a recomendação do Conselho, cabe à Assembleia Geral confirmar a nomeação. O processo deve ser concluído até o final de dezembro, antes do encerramento do mandato de António Guterres.
A entrada de Nusseibeh acrescenta uma nova alternativa à disputa e pode alterar as negociações entre os países que buscam consenso sobre o perfil do próximo dirigente. A escolha terá impacto direto na condução da diplomacia multilateral em um período marcado por conflitos, desafios humanitários e debates sobre a reforma das instituições internacionais.









