Embaixador Sr. Rashad Novruz
Há datas na história de cada nação que carregam um significado muito maior do que os números de um calendário. Elas se tornam momentos de memória coletiva, quando a dor pessoal e a história nacional convergem. Para o Azerbaijão, 27 de setembro é um desses dias.
Celebrado anualmente como Dia da Memória (Anım Günü), o dia 27 de setembro homenageia aqueles que perderam suas vidas na luta pela soberania e pela integridade territorial do Azerbaijão, especialmente os militares e civis que morreram durante a Guerra Patriótica de 44 dias de 2020. A data foi oficialmente instituída por Ordem Presidencial em 2 de dezembro de 2020.
O dia 27 de setembro marca o início da guerra de 44 dias e é uma data de memória, gratidão e reflexão sobre o custo humano dos conflitos. O Dia da Memória, portanto, não é uma celebração da guerra, mas uma solene homenagem àqueles que fizeram o sacrifício supremo.
Durante quase três décadas, o Azerbaijão buscou uma solução pacífica para o conflito por meio de negociações, incluindo aquelas facilitadas pelo Grupo de Minsk da OSCE. Quatro resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas adotadas em 1993 — 822, 853, 874 e 884 — exigiram a retirada imediata e incondicional das forças armênias dos territórios ocupados do Azerbaijão. No entanto, essas resoluções permaneceram sem implementação durante décadas, enquanto centenas de milhares de azerbaijanos deslocados continuavam aguardando a oportunidade de retornar às suas casas.
A guerra de 44 dias de 2020 mudou fundamentalmente a situação no terreno. O Azerbaijão restaurou o controle sobre partes significativas de seu território internacionalmente reconhecido, enquanto os acontecimentos subsequentes de setembro de 2023 resultaram na restauração de sua ordem constitucional em todo o país. Esses acontecimentos levaram o conflito, que se estendia por décadas, a uma nova etapa e criaram condições para novos esforços em direção à paz.
Após a fase militar, o Presidente Ilham Aliyev iniciou um processo de paz com a Armênia. Depois de várias rodadas de negociações, os dois lados rubricaram, em Washington, em 8 de agosto de 2025, com a facilitação dos Estados Unidos, o Acordo sobre o Estabelecimento da Paz e das Relações Interestatais entre a República da Armênia e a República do Azerbaijão.
O Azerbaijão considera o acordo uma base para uma nova relação entre os dois Estados vizinhos, fundamentada no reconhecimento mútuo da soberania e da integridade territorial. O governo azerbaijano também identificou mudanças em determinadas disposições do marco constitucional da Armênia como necessárias antes da assinatura definitiva do acordo.
A paz, entretanto, não é medida apenas por documentos diplomáticos, mas também pela capacidade das pessoas de retornarem com segurança às suas casas. Após a libertação dos territórios anteriormente ocupados, o Azerbaijão lançou seu programa de reconstrução em larga escala denominado “Grande Retorno”.
Milhares de famílias deslocadas já retornaram a cidades e vilarejos reconstruídos, incluindo novos assentamentos “inteligentes”. De acordo com o governo do Azerbaijão, mais de US$ 13 bilhões foram investidos em reconstrução e reabilitação.
Entretanto, o legado do conflito continua sendo profundo. As minas terrestres ainda representam um grave desafio humanitário em todos os territórios libertados. O Azerbaijão intensificou as operações de desminagem, utilizando principalmente seus próprios recursos, ao mesmo tempo em que recebe apoio de parceiros internacionais.
A ameaça contínua das minas já causou mortes entre civis, atrasou a reconstrução e dificultou o retorno seguro das famílias deslocadas.
Outra questão humanitária ainda não resolvida é o destino de milhares de pessoas desaparecidas. Aproximadamente 4.000 cidadãos azerbaijanos continuam desaparecidos desde a Primeira Guerra de Karabakh.
Após a restauração do controle do Azerbaijão sobre os territórios anteriormente ocupados, foram descobertas valas comuns, e os restos mortais de numerosas pessoas desaparecidas foram recuperados e identificados, trazendo respostas há muito aguardadas para algumas famílias. Uma cooperação adicional entre as partes envolvidas e as instituições humanitárias internacionais continua sendo essencial para esclarecer o destino daqueles que ainda permanecem desaparecidos.
Assim, 27 de setembro é tanto um dia de memória quanto um lembrete das responsabilidades que surgem após um conflito. O Azerbaijão homenageia aqueles que sacrificaram suas vidas pela soberania e pela integridade territorial do país, ao mesmo tempo em que olha para um futuro definido não pela guerra, mas pela paz, reconstrução e cooperação regional.
A memória dos filhos e filhas do Azerbaijão que tombaram permanece profundamente enraizada na consciência nacional. Seu sacrifício é lembrado com profundo respeito, e sua dedicação à Pátria continua ocupando um lugar especial na história moderna do país.
Que Deus tenha misericórdia de todos os nossos mártires.










