As forças aéreas da Rússia e da China realizaram, em 27 de junho, a 11ª patrulha aérea estratégica conjunta entre os dois países, em uma demonstração de coordenação militar que mobilizou diversos tipos de aeronaves e atraiu a atenção das principais forças de defesa do Indo-Pacífico.

A operação ocorreu sobre o Mar do Japão, o Mar da China Oriental e áreas do Pacífico Ocidental, sendo acompanhada por Japão, Coreia do Sul e pelos Estados Unidos, que monitoraram os deslocamentos da formação aérea durante todo o percurso.

Segundo o Ministério da Defesa da China, a missão teve como objetivo fortalecer a cooperação entre Pequim e Moscou e demonstrar a capacidade dos dois países de atuar conjuntamente na preservação da estabilidade regional. A patrulha integra um calendário de exercícios militares bilaterais que vem sendo ampliado nos últimos anos.

A operação reuniu um grande número de meios aéreos. Pelo lado russo participaram bombardeiros estratégicos Tu-95MS, aeronaves de patrulha marítima Tu-142MZ, aviões-tanque Il-78M e uma aeronave de alerta aéreo antecipado A-50U. A China empregou bombardeiros H-6K, caças multifunção J-16, aeronaves de alerta antecipado KJ-500 e outros aviões de apoio às operações.

De acordo com informações divulgadas por autoridades militares e por sistemas de monitoramento aéreo, os bombardeiros russos decolaram de bases localizadas no Extremo Oriente e seguiram em direção ao Mar do Japão, onde posteriormente encontraram as aeronaves chinesas. Após a união das formações, o grupo prosseguiu em voo conjunto pelo Mar da China Oriental e pelo Pacífico Ocidental, passando por áreas próximas ao arquipélago japonês.

O Ministério da Defesa do Japão confirmou que acompanhou toda a movimentação da patrulha. Segundo as autoridades japonesas, aeronaves da Força Aérea de Autodefesa foram acionadas para monitorar os voos, embora não tenha sido registrada qualquer violação do espaço aéreo do país.

Durante uma segunda etapa da missão, novos bombardeiros chineses juntaram-se à formação russa para realizar um voo de longa distância em direção ao Pacífico, nas proximidades da ilha japonesa de Shikoku. Caças de escolta chineses J-16 e aeronaves russas Su-35 também participaram da operação em diferentes momentos.

A Coreia do Sul igualmente respondeu ao exercício militar. O Estado-Maior Conjunto sul-coreano informou que aproximadamente dez aeronaves russas e chinesas ingressaram temporariamente na Zona de Identificação de Defesa Aérea da Coreia (KADIZ). Embora nenhuma aeronave tenha violado o espaço aéreo sul-coreano, Seul mobilizou caças para acompanhar a movimentação e realizar medidas preventivas.

Após a missão, o governo sul-coreano apresentou um protesto diplomático aos representantes militares da Rússia e da China, solicitando que situações semelhantes sejam evitadas futuramente para reduzir riscos à segurança regional.

Imagens divulgadas por canais militares e análises de especialistas indicam que a patrulha também foi acompanhada por aeronaves de países aliados na região. Relatos apontam a presença de caças F-35A da Força Aérea dos Estados Unidos e de F-15J japoneses realizando missões de monitoramento, enquanto autoridades sul-coreanas confirmaram o emprego de aeronaves de interceptação, sem divulgar os modelos utilizados.

A realização da 11ª patrulha estratégica conjunta evidencia o aprofundamento da cooperação militar entre Rússia e China em um momento de crescente competição geopolítica no Indo-Pacífico. O aumento da frequência dessas operações demonstra a intenção de ambos os países de ampliar a interoperabilidade de suas forças armadas e reforçar sua presença em uma das regiões mais estratégicas do cenário internacional.

Especialistas avaliam que exercícios desse porte tendem a continuar nos próximos anos, refletindo o fortalecimento da parceria entre Moscou e Pequim e a crescente importância da coordenação militar no equilíbrio estratégico da Ásia-Pacífico.