Leila Bijos
A análise dos terremotos na Venezuela revela perdas catastróficas, destruição de vidas, cidades, e cerca de 250 edifícios danificados em segundos pelos simultâneos abalos sísmicos, ocorridos no dia 24/06/2026. Eventos que abalaram a rotina dos cidadãos, trazem dor e separação, além de indagações sobre a engenharia geotécnica de terremotos, a preparação dos bombeiros, médicos e enfermeiros para socorrer mais de 2.980 feridos. No total, são mais de 70 mil famílias afetadas pelos abalos sísmicos, edifícios e moradias destruídas, com indeléveis repercussões econômicas, políticas e sociais. As cidades de Caraballeda e Catia La Mar concentram a maior parte dos danos.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) registrou a magnitude 7,2 do primeiro terremoto, mas 39 segundos depois ocorreu o segundo terremoto ainda mais intenso, de magnitude 7,5. Uma realidade que implica na urgência de missões humanitárias com bombeiros, técnicos da Defesa Civil e da Anatel, além da preparação de toneladas de equipamentos de resgate.
O número de desaparecidos ainda é incerto, com mais de 36.376 pessoas registradas como desaparecidas, mas 2.316 pessoas já foram encontradas. Esses números, contudo, podem não ser precisos, já que dependem de que as pessoas que procuram ativamente seus familiares confirmem posteriormente se eles foram encontrados com vida e em segurança.
Os terremotos na Venezuela tiveram impactos na Colômbia, em Trinidad e Tobago, nas Antilhas Holandesas; além de alerta de tsunami no Japão. A devastação causada pelo terremoto afetou outras partes de Caracas como San Bernardino, onde edifícios também haviam desabado; o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, no Estado de La Guaira, e em outras regiões do país. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “expressa seu pesar pelas perdas causadas pelos terremotos que atingiram o território venezuelano”. Adicionalmente, o “Brasil manifesta sua solidariedade ao governo e ao povo da Venezuela e deseja pronta recuperação aos feridos”, afirmou a pasta em comunicado.
Segundo o Itamaraty, os terremotos também foram sentidos em áreas do território brasileiro próximas à fronteira com a Venezuela.
Os sismos são movimentos entre as placas tectônicas, localizadas na litosfera terrestre, produzem tensões compressivas ou expansivas, que se acumulam em diversos pontos e, ao atingirem o limite da resistência das rochas, provocam ruptura e geram vibrações que se propagam em todas as direções. Diversas pesquisas já foram desenvolvidas no intuito de se medir e classificar um terremoto e propor relações entre a sua origem e as consequências provocadas por este sobre a superfície da Terra, como as alterações no relevo e os grandes desastres envolvendo vítimas. Inicialmente, em 1935, o professor Charles Richter, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, desenvolveu um estudo estabelecendo a magnitude para terremotos de pouca profundidade e epicentro próximo à estação (sismógrafo). Posteriormente, Gutemberg e Richter (1936) desenvolveram uma forma de determinar a magnitude (Ms) de um terremoto distante, a partir da amplitude máxima da onda, criando, o que hoje conhecemos como escala Richter.
O Brasil ocupa um espaço privilegiado no planeta, pois está localizado no interior da placa sul-americana e, portanto, com baixa sismicidade (intraplaca) e com sismos na maioria dos casos rasos, que raramente ultrapassam a magnitude de 6. Isso não significa que o Brasil não está sujeito a abalos sísmicos com alguma significância. Pelo contrário, há grande concentração de sismos na região Nordeste (Ceará e Rio Grande do Norte). Também podem ser observadas atividades sísmicas na plataforma continental da região Sudeste, nas regiões do Pantanal Matogrossense, no norte do estado de Mato Grosso e em torno de Manaus. O Acre possui uma área de sismos de grande profundidade, possivelmente relacionados à placa de Nazca que mergulha sob o continente.
Renomados cientistas dedicaram parte de suas vidas buscando entender o comportamento da natureza para, na medida do possível, controlá-la. Neste sentido, surgiram através da história inúmeras ferramentas e técnicas de previsão de catástrofes e teorias para explicar como ou por que elas ocorrem. Embora controlar ou dominar a natureza esteja bem distante da nossa realidade, no que diz respeito à previsão de catástrofes e à redução dos seus efeitos, os primeiros passos já foram dados, e hoje temos sistemas de alerta, que em alguns casos, podem evitar maiores danos às pessoas e materiais, a partir da divulgação antecipada de informações quanto à ocorrência de fenômenos naturais, tais como tempestades, furacões, possibilidades de tsunamis e probabilidade de tremores de terra. Também em países como o Japão e os Estados Unidos, a engenharia estrutural vem se desenvolvendo bastante, contribuindo de forma significativa na pesquisa de técnicas construtivas que amenizam os efeitos dos terremotos nas edificações. Independente da sorte de não se pensar em terremotos, algumas instalações são obrigatoriamente dimensionadas admitindo-se a possibilidade, mesmo que bastante remota, da ocorrência de abalos sísmicos que possam causar danos com graves consequências negativas ao ambiente. Este é o caso das instalações nucleares, as quais, sem dúvida, representam um grande avanço tecnológico para uma nação, mas que necessitam do emprego da boa técnica e do conhecimento científico contemporâneo aplicáveis aos seus dimensionamentos para uma utilização segura.
As pesquisas relacionadas ao entendimento dos fenômenos naturais que possam abalar ou danificar as estruturas, pondo em risco o ambiente, devem ser incentivadas, uma vez que estas são o ponto de partida na busca de soluções técnicas que minimizem ou mesmo anulem a possibilidade de consequências catastróficas.
Neste caso, a engenharia geotécnica de terremotos vem fazendo a sua parte.
Ao povo da Venezuela nossa solidariedade!









