Um relatório elaborado por pesquisadores e instituições de pesquisa da China e da América Latina concluiu que a cooperação entre as duas regiões avançou significativamente nos últimos três anos, impulsionada pela Iniciativa para a Civilização Global (ICG). O estudo analisa os resultados alcançados desde o lançamento da proposta e apresenta perspectivas para ampliar o diálogo cultural, acadêmico e institucional entre os países.

Intitulado “Relatório de Pesquisa Conjunta China–América Latina e Caribe: A Iniciativa para a Civilização Global entre China e América Latina e Caribe – Práticas e Perspectivas”, o documento foi coordenado pelo Centro para as Américas do Grupo de Comunicações Internacionais da China (CICG) e contou com a participação de especialistas de diversos países latino-americanos.

Segundo o levantamento, a cooperação entre China e América Latina passou por uma evolução significativa, deixando de concentrar-se apenas na promoção das culturas tradicionais para incorporar iniciativas voltadas ao intercâmbio de conhecimento, inovação, desenvolvimento e construção conjunta de políticas públicas e conceitos de cooperação.

Os pesquisadores destacam que o relacionamento entre as duas regiões passou a combinar ações desenvolvidas pelos governos nacionais, administrações locais, universidades, centros de pesquisa, meios de comunicação e organizações da sociedade civil. Essa estrutura ampliou os canais de diálogo e fortaleceu os mecanismos de intercâmbio entre diferentes setores.

O relatório também afirma que a diversidade cultural se consolidou como uma das principais características das relações sino-latino-americanas. De acordo com os autores, valores como paz, desenvolvimento, justiça, igualdade, democracia, liberdade e respeito às diferentes civilizações têm servido como base para ampliar a cooperação entre os países participantes.

A pesquisa ressalta ainda que a Iniciativa para a Civilização Global integra o conjunto das chamadas “quatro iniciativas globais” propostas pela China, ao lado das iniciativas voltadas ao desenvolvimento, à segurança e à governança global. O documento aponta que essas propostas buscam incentivar o diálogo entre diferentes culturas e promover formas de cooperação internacional baseadas no respeito mútuo e na diversidade.

Na avaliação dos especialistas, a cooperação entre China e América Latina evoluiu de um modelo centrado em declarações diplomáticas para uma agenda de ações concretas envolvendo educação, pesquisa científica, intercâmbio acadêmico, comunicação, inovação e produção de conhecimento compartilhado.

O estudo também destaca que a aproximação entre as duas regiões é favorecida por desafios comuns enfrentados pelos países do Sul Global, além da defesa de princípios como inclusão, aprendizado mútuo, diálogo intercultural e cooperação internacional.

Além da análise sobre os resultados obtidos, o relatório reúne contribuições de pesquisadores do Brasil, México, Chile, Argentina e Peru, que apresentam diferentes perspectivas sobre a importância da Iniciativa para a Civilização Global e seu potencial para fortalecer os vínculos entre os países latino-americanos e a China.

A publicação foi disponibilizada simultaneamente em chinês, espanhol e português, com o objetivo de ampliar seu alcance entre pesquisadores, formuladores de políticas públicas e instituições acadêmicas. Os organizadores afirmam que o documento pretende servir como referência para futuras iniciativas voltadas ao fortalecimento do entendimento entre diferentes civilizações e ao aprofundamento das relações entre China e América Latina.

Para os autores, o fortalecimento do intercâmbio cultural e acadêmico poderá contribuir para ampliar a cooperação entre os países do Sul Global, promovendo novas oportunidades de diálogo, desenvolvimento conjunto e construção de uma comunidade internacional baseada no respeito à diversidade e na colaboração entre diferentes povos.