Uma missão internacional da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) realizada entre os dias 19 de maio e 3 de junho reforçou a presença da instituição brasileira em um dos principais centros globais de ciência e tecnologia. A agenda na China resultou na ampliação de parcerias acadêmicas, na assinatura de novos acordos e na criação de oportunidades voltadas à pesquisa, intercâmbio e cooperação científica.

Coordenada pela Diretoria Executiva de Relações Internacionais (DERI) e liderada pelo coordenador-geral da universidade, Fernando Antonio Santos Coelho, a delegação percorreu importantes polos de ensino e inovação nas cidades de Xi’an e Pequim, estabelecendo contatos com universidades e centros de pesquisa de referência no cenário internacional.

Unicamp firma acordo com universidade chinesa de destaque

Um dos principais avanços obtidos durante a viagem foi a formalização de um Memorando de Entendimento com a Northwestern Polytechnical University (NPU), instituição reconhecida mundialmente por sua atuação em áreas como engenharia, aeronáutica, inteligência artificial e inovação tecnológica.

O acordo estabelece as bases para futuras ações conjuntas envolvendo pesquisas científicas, programas de mobilidade acadêmica e iniciativas de cooperação institucional entre as duas universidades.

Além da assinatura do documento, representantes das instituições discutiram mecanismos para ampliar a participação de estudantes, pesquisadores e servidores técnico-administrativos em programas de intercâmbio, incluindo formas de apoio à permanência dos participantes durante as atividades no exterior.

Cooperação com universidades chinesas deve beneficiar estudantes e pesquisadores

Ao longo da missão, a comitiva da Unicamp visitou diversas instituições de ensino e centros de excelência científica, entre eles a Peking University (PKU), a Chinese Academy of Sciences (CAS), a Beijing Foreign Studies University (BFSU), a Beijing University of Chinese Medicine (BUCM), a China Agricultural University (CAU) e a North China Electric Power University (NCEPU).

Na Peking University, parceira da universidade brasileira desde 2018, foram discutidas medidas para fortalecer projetos de pesquisa conjuntos e ampliar os programas de mobilidade acadêmica. Entre as propostas em análise está a criação de um fundo específico para financiar iniciativas desenvolvidas em colaboração entre pesquisadores dos dois países.

Já as conversas realizadas com a Beijing Foreign Studies University abriram perspectivas para estudantes das áreas de economia, negócios internacionais, relações internacionais e ciência de dados. A agenda também incluiu encontros com brasileiros que estudam na instituição, fortalecendo a rede de apoio aos primeiros alunos da Unicamp que participarão de intercâmbio na universidade chinesa no segundo semestre de 2026.

Novos projetos envolvem inteligência artificial, energia e saúde

As reuniões realizadas ao longo da missão permitiram a abertura de novas frentes de colaboração em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento científico e tecnológico.

Entre as áreas contempladas estão matemática, inteligência artificial, engenharia, energias renováveis, agricultura de precisão, sustentabilidade e saúde.

Uma das iniciativas discutidas prevê a realização da primeira Conferência América Latina-China em Matemática. Também foram debatidos projetos relacionados ao desenvolvimento de cidades inteligentes, à transição energética e à expansão das pesquisas em fontes renováveis.

Outra proposta em estudo envolve a criação de um Centro Brasileiro de Medicina Tradicional Chinesa, vinculado ao Centro Interdisciplinar de Estudos Brasil-China da Unicamp.

Visitas presenciais fortaleceram relações institucionais

Segundo a universidade, a etapa presencial foi decisiva para consolidar tratativas que já vinham sendo conduzidas por meio de reuniões virtuais. O contato direto com pesquisadores e dirigentes chineses permitiu conhecer laboratórios, centros de pesquisa e estruturas voltadas ao desenvolvimento científico.

Nos próximos meses, a Diretoria Executiva de Relações Internacionais deverá acompanhar a implementação das ações discutidas durante a missão. O trabalho inclui a elaboração de novos acordos, o desenvolvimento de editais de financiamento conjunto, a promoção de visitas recíprocas e a expansão dos projetos colaborativos entre pesquisadores brasileiros e chineses.

Internacionalização amplia protagonismo da Unicamp

Com a intensificação das parcerias com instituições chinesas, a Unicamp reforça sua inserção em redes internacionais de pesquisa e inovação, ampliando as oportunidades para estudantes, docentes e servidores.

A estratégia também busca contribuir para o desenvolvimento de soluções voltadas a desafios globais, como segurança alimentar, saúde pública, sustentabilidade, inclusão social, formação de pesquisadores e transição energética, consolidando a universidade como um dos principais centros de produção científica da América Latina.