A indústria aérea europeia entrou em estado de alerta diante do risco crescente de falta de querosene de aviação (QAV). A ACI Europe advertiu que, caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto de forma estável nas próximas semanas, a União Europeia poderá enfrentar uma escassez “sistêmica” de combustível.
Em carta enviada ao comissário europeu de Transportes, Apostolos Tzitzikostas, a entidade destacou a redução contínua das reservas e a pressão adicional provocada pela atividade militar na região do Golfo, que tem impactado diretamente as cadeias globais de suprimento energético.
Apesar de companhias aéreas ainda afirmarem possuir estoques suficientes para algumas semanas, fornecedores já indicam dificuldades em garantir entregas para o mês de maio. O cenário se torna mais crítico com a proximidade do verão europeu — período de alta demanda —, quando o transporte aéreo é essencial para sustentar o turismo e a atividade econômica do bloco.
Os efeitos da crise já começam a se materializar. Aeroportos italianos adotaram restrições no abastecimento, enquanto companhias aéreas ajustam suas operações. A Delta Air Lines anunciou redução de 3,5% em sua capacidade, projetando um impacto adicional de US$ 2 bilhões em custos com combustível. Outras empresas, como a Air New Zealand e a LOT Polish Airlines, também já reduziram voos e avaliam aumentos nas tarifas.
Os preços refletem essa pressão: o combustível de aviação no noroeste da Europa praticamente dobrou, saltando de cerca de US$ 750 para mais de US$ 1.500 por tonelada desde o início do conflito com o Irã.
Embora parte das restrições recentes não esteja diretamente ligada ao estreito, a importância da rota é central — cerca de 40% do combustível de aviação global passa pela região. A interrupção prolongada compromete não apenas o abastecimento, mas toda a logística energética internacional.
Diante desse cenário, a ACI Europe cobra uma resposta coordenada da União Europeia, incluindo monitoramento integrado da produção e distribuição de combustível. A ausência de uma estratégia comum, segundo a entidade, pode resultar em falhas operacionais, redução da conectividade aérea e impactos econômicos significativos para o continente.
A crise evidencia a vulnerabilidade estrutural do setor aéreo às tensões geopolíticas e reforça a dependência crítica de rotas estratégicas para a estabilidade do transporte global.









