A Suécia deu um passo para fortalecer sua capacidade de resposta em situações de emergência ao tornar obrigatória a aceitação de dinheiro em espécie em supermercados e farmácias. A nova legislação, que entrou em vigor nesta semana, busca garantir que a população continue tendo acesso a bens essenciais mesmo em casos de falhas tecnológicas, ataques cibernéticos ou outras crises que possam comprometer os sistemas eletrônicos de pagamento.

Embora o país seja reconhecido como um dos mais avançados do mundo na utilização de meios de pagamento digitais, o governo sueco considera fundamental preservar o dinheiro físico como alternativa para momentos de instabilidade.

Segundo representantes do setor varejista, moedas e cédulas podem desempenhar um papel decisivo quando sistemas eletrônicos deixam de funcionar. Carlos Cancino, representante da rede de supermercados Coop, afirmou que o dinheiro em espécie continua sendo uma importante garantia para consumidores e comerciantes em situações nas quais a tecnologia não está disponível.

País continua entre os líderes em pagamentos digitais

Apesar da mudança na legislação, o comportamento dos consumidores permanece fortemente voltado aos pagamentos eletrônicos. Cartões bancários, aplicativos e pagamentos por aproximação continuam sendo os meios preferidos pela maioria da população.

Dados do Banco Central da Suécia mostram que apenas uma pequena parcela dos suecos ainda utiliza dinheiro em espécie nas compras do dia a dia, refletindo a rápida digitalização do sistema financeiro nacional nas últimas décadas.

Nova regra prevê exceções

A legislação não determina que todos os estabelecimentos aceitem dinheiro em qualquer circunstância. Existem exceções previstas para determinados modelos de operação, como lojas totalmente automatizadas e estabelecimentos onde o recebimento de dinheiro possa representar riscos à segurança dos funcionários.

Além disso, comerciantes poderão justificar dificuldades operacionais relacionadas aos custos da manutenção de sistemas para recebimento de dinheiro físico. A norma também estabelece que os estabelecimentos não são obrigados a aceitar pagamentos com grandes quantidades de moedas em uma única compra.

Até o momento, as autoridades suecas ainda trabalham na definição dos mecanismos de fiscalização e das possíveis sanções para empresas que descumprirem a nova exigência.

Medida faz parte da estratégia nacional de preparação para crises

A obrigatoriedade integra uma política mais ampla de fortalecimento da resiliência nacional. Nos últimos anos, o governo sueco e o Banco Central têm alertado a população sobre a importância de manter uma pequena reserva de dinheiro em casa para utilização em casos de emergências.

A recomendação oficial é que cada família disponha de aproximadamente 90 euros em espécie, valor considerado suficiente para a aquisição de alimentos, medicamentos e outros itens essenciais durante os primeiros dias de uma eventual interrupção dos sistemas eletrônicos.

Especialistas apontam que a medida reflete uma preocupação crescente de diversos países europeus com riscos relacionados a ciberataques, apagões, desastres naturais e outras situações que possam comprometer a infraestrutura digital de pagamentos.

Ao preservar o uso do dinheiro em espécie como mecanismo de contingência, a Suécia busca equilibrar sua posição de referência mundial em inovação financeira com estratégias voltadas à segurança econômica e à inclusão de cidadãos que ainda enfrentam dificuldades no acesso aos meios digitais de pagamento.