A poucos meses do verão europeu, período de maior fluxo de passageiros, entidades que representam aeroportos e companhias aéreas emitiram um alerta direto à Comissão Europeia, sediada em Bruxelas. Segundo as organizações, o atual modelo de implementação do Sistema de Entrada e Saída (EES), criado para reforçar o controle migratório no Espaço Schengen, pode provocar atrasos expressivos justamente durante a alta temporada turística.
O apelo foi formalizado por três das principais entidades do setor: o ACI EUROPE, que representa aeroportos; a Airlines for Europe (A4E), que reúne companhias aéreas; e a IATA, associação global da aviação comercial. Em comunicado conjunto, as instituições afirmam que o novo sistema já está causando tempos de espera prolongados nos controles de fronteira.
De acordo com as entidades, viajantes provenientes de países fora da União Europeia estão enfrentando filas de até duas horas em determinados aeroportos. Caso o modelo atual seja mantido sem ajustes, a previsão é que o tempo de espera possa ultrapassar quatro horas durante os meses de julho e agosto, quando o movimento atinge seu pico anual.
A preocupação também foi levada ao comissário europeu para Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, por meio de uma carta que destaca os desafios operacionais enfrentados nesta fase inicial. Atualmente, as regras exigem que pelo menos 35% dos cidadãos de fora da União Europeia tenham seus dados registrados no novo sistema.
Entre os principais obstáculos apontados está a escassez de agentes de controle migratório, além de falhas tecnológicas e limitações nos sistemas automatizados. Outro fator relevante é a baixa adesão dos países ao aplicativo de pré-registro desenvolvido pela Frontex, ferramenta que poderia acelerar o processamento de passageiros e reduzir congestionamentos.
Diante desse cenário, as organizações pedem que a Comissão Europeia considere a possibilidade de suspender parcial ou totalmente o EES até pelo menos outubro de 2026. Elas argumentam que, sem flexibilidade na implementação, o sistema pode comprometer a experiência dos viajantes e prejudicar a imagem da Europa como destino turístico eficiente.
Para o setor aéreo, o momento é decisivo. Com milhões de passageiros esperados nos próximos meses, garantir fluidez nos controles de fronteira tornou-se uma prioridade estratégica para preservar a competitividade e a reputação internacional dos aeroportos europeus.









