A capital do Azerbaijão, Baku, está passando por uma transformação no transporte público com a expansão da frota de ônibus elétricos produzidos pela chinesa BYD. A iniciativa combina redução de emissões, modernização da mobilidade urbana e transferência de conhecimento tecnológico, enquanto o país busca desenvolver sua própria capacidade de fabricação de veículos de nova energia.
A mudança já pode ser percebida no cotidiano dos passageiros. Motoristas que anteriormente trabalhavam com veículos movidos a gás natural passaram a operar ônibus elétricos, descritos como mais silenciosos, suaves e confortáveis.
A adoção ganhou força antes da COP29, realizada em Baku em 2024, quando 160 ônibus elétricos fabricados pela BYD foram incorporados ao sistema de transporte da capital.
Frota elétrica cresce em Baku
Dados da Agência de Transporte Terrestre do Azerbaijão, divulgados na primavera de 2026, indicam que aproximadamente 2.350 ônibus circulam diariamente em Baku. Desse total, mais de 300 são ônibus elétricos da BYD.
Além dos veículos importados, parte da frota passou a ser montada dentro do próprio Azerbaijão, resultado de um projeto industrial instalado no Parque Industrial de Sumgayit, localizado a aproximadamente 30 quilômetros de Baku.
A expansão da mobilidade elétrica acompanha uma estratégia nacional de redução do impacto ambiental do transporte urbano. Segundo informações da BYD, um ônibus elétrico que percorra cerca de 90 mil quilômetros por ano pode deixar de consumir aproximadamente 27 mil litros de diesel, evitando a emissão de cerca de 66 toneladas de dióxido de carbono no mesmo período.
Produção local muda perfil da cooperação
Um dos principais avanços do projeto está na passagem da simples importação de veículos para a produção e montagem local de ônibus elétricos.
A Fábrica de Veículos de Energia do Azerbaijão (AEAF) foi criada por meio de uma parceria envolvendo o Fundo de Desenvolvimento de Negócios do Azerbaijão, o Grupo SARDA e a BYD.
O primeiro ônibus elétrico de 12 metros da fabricante chinesa montado localmente foi entregue em setembro de 2025. Desde então, a unidade já produziu e entregou 300 veículos elétricos.
Na fábrica, os componentes principais são recebidos de fornecedores e passam por etapas de montagem, inspeção, controle de qualidade e testes antes da entrega.
Transferência de tecnologia fortalece trabalhadores locais
A cooperação entre as equipes chinesa e azerbaijana também tem desempenhado papel importante na formação de profissionais especializados.
Atualmente, aproximadamente 100 trabalhadores azerbaijanos atuam na fábrica. Técnicos locais receberam treinamento diretamente na linha de produção, incluindo procedimentos de montagem, operação de equipamentos, diagnóstico e controle de qualidade.
A capacitação cria uma nova base de conhecimento para o setor automotivo do país e prepara profissionais para trabalhar com tecnologias relacionadas à eletrificação dos transportes.
Azerbaijão quer avançar além da importação
Para autoridades do governo azerbaijano, a parceria com empresas chinesas representa uma oportunidade de transformar a posição do país dentro da cadeia de tecnologias verdes.
A estratégia pretende fazer com que o Azerbaijão deixe gradualmente de atuar apenas como comprador de soluções de mobilidade elétrica e passe a desenvolver capacidade própria de produção, operação e manutenção de veículos de nova energia.
O objetivo também inclui a possibilidade de utilizar a estrutura industrial do país para atender futuramente outros mercados da região.
Novas oportunidades na indústria de energia limpa
O governo do Azerbaijão avalia que a cooperação com empresas chinesas pode ser ampliada para outras áreas da chamada economia verde.
Entre os segmentos apontados como prioritários estão baterias, infraestrutura de recarga, mobilidade inteligente e manufatura avançada.
A expansão dessas atividades poderia criar novas cadeias produtivas, ampliar a qualificação da mão de obra e estimular investimentos em tecnologias associadas à transição energética.
Baku transforma mobilidade e indústria
A experiência de Baku mostra que a eletrificação do transporte público pode produzir impactos que vão além da redução das emissões de carbono.
Ao mesmo tempo em que os ônibus elétricos modernizam o deslocamento urbano, a criação de uma estrutura de montagem local amplia a capacidade industrial do Azerbaijão e permite a transferência de conhecimento tecnológico.
A parceria com a China, nesse contexto, integra uma estratégia mais ampla de desenvolvimento sustentável, combinando mobilidade elétrica, industrialização, capacitação profissional e inovação tecnológica.
Para o Azerbaijão, o projeto representa um passo em direção a um modelo no qual tecnologias de transporte limpo deixam de ser apenas produtos importados e passam a fazer parte de uma cadeia produtiva instalada no próprio país.









