Embaixador brasileiro na China fala sobre ampliação da cooperação bilateral

As sessões anuais da Assembleia Popular Nacional (APN, o mais alto órgão legislativo da China) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CPPCC, o principal órgão consultivo político da China) geraram um debate para melhor entendimento das políticas econômicas dos governos chinês e brasileiro. “Em 2021, a principal expectativa é a aprovação do 14º Plano Quinquenal da China, que estabelecerá marcos para o desenvolvimento econômico chinês nos próximos anos”, avaliou o embaixador do Brasil no país asiático, Paulo Estivallet de Mesquita, citando os principais interesses em compreender os rumos para o setor agrícola chinês e como o Brasil poderá aproveitar eventuais oportunidades em relação às metas estabelecidas.

Falando sobre as conquistas alcançadas nos últimos anos por ambos os países e as perspectivas e expectativas de colaboração para 2021, o embaixador citou que o relacionamento entre Brasil e China tem sido muito positivo nos últimos anos, tanto no campo político quanto no econômico. “Em 2019, tivemos um ano extraordinário do ponto de vista político”, lembrou. “Tivemos as reuniões dos dois principais mecanismos bilaterais: a Comissão Sino-Brasileira de Cooperação e Concertação, que realizou sessão em Beijing sob a liderança dos vice-presidentes Hamilton Mourão e Wang Qishan, e o Diálogo Estratégico Global, com encontro dos chanceleres Ernesto Araújo e Wang Yi em Brasília”. Mesquita destacou ainda que o comércio bilateral atingiu um recorde histórico em 2020, apesar da pandemia, mostrando vitalidade e solidez dos intercâmbios econômicos entre ambos os países.

RESPOSTA À CRISE GLOBAL DE SAÚDE

Várias vacinas têm sido desenvolvidas pelo mundo em resposta à crise global de saúde pública, entre elas, algumas produzidas na China.

O embaixador apontou em quais áreas os países poderiam realizar uma cooperação contra a pandemia de COVID-19, destacando alguns elementos como a mobilização mundial, que embora se baseie em medidas internas de cada país, é sustentada por uma cooperação global.

“Brasil e China vêm trabalhando de forma conjunta desde o início da pandemia, quando doações de materiais, como máscaras e outros itens, contribuíram para a fase inicial da resposta antiepidêmica”, destacou ele. Essa cooperação assumiu uma dinâmica importante no campo das vacinas, com dois dos principais imunizantes distribuídos ao sistema de saúde brasileiro sendo parcialmente produzidos na China.

Mesquita afirmou que os novos desafios impostos pela pandemia reforçam a importância da solidariedade e da cooperação entre os países, que mantêm um bom relacionamento no plano econômico e que estão trabalhando na cooperação tendo em vista a saúde de ambas as nações e com foco na recuperação das economias.

AVANÇO NA REDUÇÃO DA POBREZA

A China teve uma vitória crucial na decisiva batalha contra a pobreza em 2020, ao mesmo tempo que está disposta a trabalhar conjuntamente com outros países para promover este avanço. Quando questionado sobre a importância deste feito, o embaixador afirmou que é um marco muito positivo alcançado pela China e que o Brasil investe em ações de combate à pobreza, citando uma rede de políticas sociais e alguns programas para famílias de baixa renda.

“Acredito que uma das principais lições da experiência de sucesso da China no combate à pobreza é a importância de priorizar investimentos em infraestrutura, como política pública direcionada a populações vulneráveis. Para combater a pobreza e a desigualdade não basta promover o crescimento econômico, é preciso garantir a todos o acesso a saneamento básico, redes de transporte e de comunicações, educação e saúde de boa qualidade”, explicou ele, destacando que a cooperação entre Brasil e China nesta área seria uma forma promissora de contribuir com a redução da pobreza mundial.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

No âmbito das mudanças climáticas, a China estabeleceu seus próprios objetivos para atingir o pico das emissões de dióxido de carbono até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2060.

“Tal como a China, estabelecemos metas e objetivos ambiciosos a serem atingidos nas próximas décadas”, apontou o embaixador. “Reafirmamos o compromisso de redução das emissões líquidas totais de gases de efeito estufa em 37% em 2025 e assumimos oficialmente o compromisso de reduzir em 43% as emissões brasileiras até 2030, com o objetivo indicativo de atingirmos a neutralidade climática em 2060”. Para ele, Brasil e China podem ser aliados nesta importante caminhada, visto que o país está aberto a aprender com as políticas inovadoras e bem-sucedidas para alcançar estas metas.

PRÓXIMAS ETAPAS DE COOPERAÇÃO

Mesquita também expressou sua opinião sobre a Iniciativa do Cinturão e Rota. Segundo ele, a China tem se consolidado nos últimos anos como um dos principais investidores no Brasil.

“A China também tem participado de diversos projetos de infraestrutura no Brasil, que têm sido importantes, por exemplo, para a expansão e modernização dos sistemas de transmissão elétrica –caso das duas linhas de Belo Monte– e portuária, a exemplo do terminal de cargas de Paranaguá”, afirmou ele. O embaixador espera que esses aportes continuem futuramente, com o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) sendo uma porta de entrada para aplicações chinesas no Brasil, já tendo entregue 201 projetos em apenas quatro anos de existência, com bilhões de reais em investimentos.

O diplomata salientou que os dois países reconheceram na última reunião da COSBAN as possíveis sinergias entre políticas de desenvolvimento e os programas de investimento do Brasil, inclusive o PPI, as políticas de desenvolvimento e as iniciativas internacionais da China, inclusive a Iniciativa do Cinturão e Rota.

Fonte: Xinhua

Jornalista por formação, Professora de Inglês (TEFL, Teaching English as a Foreigner Language). Estudou Media Studies na Goldsmiths University Of London e tem vasta experiência como Jornalista da área internacional, tradutora e professora de Inglês. Poliglota, já acompanhou a visita de vários presidentes estrangeiros ao Brasil. Morou e trabalhou 15 anos fora do país.