A China confirmou nesta segunda-feira (25) que a missão tripulada Shenzhou-23 realizou com sucesso a atracação na estação espacial Tiangong, principal laboratório orbital modular do programa espacial chinês.

De acordo com o Escritório de Engenharia Espacial Tripulada da China, após a conclusão das manobras de encontro e acoplamento entre a espaçonave e a estação espacial, os astronautas conseguiram deixar a cápsula e acessar o módulo orbital sem qualquer incidente.

A entrada oficial da nova tripulação ocorreu às 5h13 no horário de Pequim, quando os integrantes da missão Shenzhou-21, que já estavam em órbita, abriram a escotilha da estação para recepcionar os novos astronautas.

As autoridades chinesas classificaram o momento como o oitavo “encontro espacial” da história do programa espacial tripulado do país, reforçando o avanço tecnológico da China no setor aeroespacial.

Primeira astronauta de Hong Kong participa da missão espacial chinesa

A missão ganhou repercussão internacional pela participação da taikonauta Li Jiaying, que se tornou a primeira representante de Hong Kong a integrar uma missão espacial tripulada da China.

Selecionada em 2022, Li atua como especialista em carga útil, função responsável pela coordenação e execução de experimentos científicos realizados em ambiente orbital.

Sua participação é considerada um marco simbólico na integração de Hong Kong ao programa espacial chinês e evidencia a ampliação da presença de especialistas de diferentes regiões do país em projetos estratégicos ligados à ciência e tecnologia.

Shenzhou-23 realizará mais de 100 experimentos científicos

Segundo a Agência Espacial Tripulada da China, a missão Shenzhou-23 dará continuidade a mais de 100 projetos científicos e tecnológicos durante sua permanência na estação Tiangong.

Os estudos abrangem diferentes áreas de pesquisa, incluindo:

  • ciências da vida no espaço;
  • medicina espacial;
  • ciência de materiais;
  • novas tecnologias;
  • pesquisas sobre comportamento de fluidos em ambiente de microgravidade.

O porta-voz da agência, Zhang Jingbo, afirmou que um dos principais objetivos da missão é aprofundar o conhecimento sobre a permanência prolongada de seres humanos no espaço.

Entre os experimentos previstos estão análises sobre adaptação do corpo humano em ambiente orbital, testes de sistemas de saúde para astronautas e estudos voltados a futuras missões espaciais de longa duração.

Programa espacial chinês avança em direção a missões mais complexas

O lançamento da missão Shenzhou-23 ocorreu no domingo (24), a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, localizado no noroeste da China.

A operação marca uma nova fase do programa espacial chinês, especialmente após o país permanecer sem voos tripulados desde 2024.

Antes da decolagem, o astronauta Zhu Yangzhu destacou que a missão representa mais um passo importante da China rumo a operações espaciais mais longas, complexas e tecnologicamente avançadas.

Com o sucesso da acoplagem na Tiangong, a China reforça sua posição como uma das principais potências espaciais do mundo e amplia seus investimentos em pesquisas científicas e exploração espacial de longo prazo.