Por Marwan Gill, Imã e Presidente da Comunidade Muçulmana Ahmadiyya na Argentina

Astana transformou-se em um verdadeiro farol de esperança ao sediar, em setembro de 2025, líderes religiosos de todo o mundo sob a bandeira da paz, da fraternidade e da esperança. Em um momento em que a humanidade é arrastada para confrontos intermináveis, conflitos e divisões, o simples fato de mais de 60 delegações religiosas se reunirem representou um remédio curativo para almas feridas.

Enquanto o mundo caminha rapidamente rumo a uma nova Guerra Mundial, o lema “Sinergia entre as religiões como força motriz da esperança e da reconciliação” expressou a necessidade urgente desse tipo de encontro e iniciativa. A imagem emblemática de muçulmanos, cristãos, judeus, hindus e budistas sentados em torno da mesa redonda reforça a ideia de que a fé une, em vez de dividir. Foi um belo lembrete para nossas sociedades de que a colaboração inter-religiosa não busca eliminar as diferenças, mas transformá-las em uma fonte de enriquecimento mútuo.

De fato, em uma era em que crescem cada vez mais, nas plataformas internacionais, vozes que defendem um retorno a uma espécie de “cruzadas medievais” ou a uma divisão entre “Ocidente versus Oriente”, o Congresso de Astana sugere que a solução não está em mais divisão, mas em mais unidade. E o caminho não é construir mais muros, e sim mais pontes. Nesse sentido, os diálogos realizados durante o congresso proporcionaram valiosas oportunidades para ouvir “o outro” e fortalecer nossas relações.

É importante esclarecer que o diálogo com “o outro” não significa renunciar à própria identidade nem negar os próprios princípios, mas sim ouvir e buscar pontos em comum com “o outro”. De fato, o Alcorão Sagrado, no capítulo 3, versículo 65, enfatiza que é essencial que as religiões estejam em harmonia e destaca que, como muçulmanos, é nossa responsabilidade construir pontes a fim de buscar os valores comuns que nos unem a todos, sejamos judeus, cristãos, muçulmanos ou seguidores de qualquer outra religião. Com essa premissa islâmica em mente, em representação da Comunidade Muçulmana Ahmadiyya, agradeço ao Presidente do Cazaquistão e ao Centro ICIID (Centro Internacional para o Diálogo Inter-religioso e Interconfessional) pelo seu compromisso com a harmonia e a fraternidade inter-religiosas.

Em conclusão, o Congresso de Astana reafirmou minha convicção de que o diálogo inter-religioso é um pilar fundamental para a construção de sociedades mais justas e harmoniosas. A paz, que todos desejamos e que constitui a essência de todas as religiões, exige um esforço conjunto. O próximo passo essencial será transformar o diálogo e as palavras em ações e iniciativas concretas. Tenho plena consciência de que o encontro e o diálogo entre representantes religiosos são o primeiro passo nesse longo caminho rumo a uma humanidade mais humana e pacífica. O principal desafio agora consiste em transformar essas palavras e discursos em iniciativas reais que contribuam para a reconciliação e sejam capazes de converter o medo em esperança, a incerteza em convicção e a frustração em conforto.