Em evento promovido pela União de Cidades Capitais Ibero‑Americanas na cidade, Brasília recebe prêmio e se compromete com preservação, educação patrimonial e valorização da memória coletiva
Brasília foi oficialmente reconhecida como Capital Ibero-Americana do Patrimônio Cultural 2026 pela União de Cidades Capitais Ibero‑Americanas (UCCI) e firmou a Carta de Brasília sobre Patrimônio Histórico Cultural durante a cerimônia de encerramento do II Comitê Setorial de Patrimônio Cultural da entidade, realizado entre os dias 11 e 13 de março. O encontro reuniu representantes de diversas capitais ibero-americanas na capital federal para debater estratégias de preservação, valorização e gestão do patrimônio cultural nas grandes cidades.
Ao longo de três dias de programação – que teve como patrocinador oficial o Banco de Brasília (BRB) -, gestores públicos, especialistas e representantes institucionais participaram de mesas temáticas, apresentações e intercâmbio de experiências voltadas à proteção do patrimônio histórico e cultural. O evento consolidou Brasília como um importante espaço de diálogo internacional sobre políticas urbanas e culturais.
A concessão do título de Capital Ibero-Americana do Patrimônio Cultural 2026 reconhece a relevância histórica e urbanística de Brasília, conhecida mundialmente por seu conjunto arquitetônico modernista e por seu planejamento urbano singular. A distinção também reforça o compromisso da cidade com a preservação e difusão de seu patrimônio cultural, ampliando oportunidades de cooperação com outras capitais da região.
A diretora-geral da UCCI, Luciana Binaghi Getar, Brasília é exemplo de como conservar o patrimônio respeitando os desafios do século 21.Para ela, o urbanismo moderno da capital brasileira inspira outras cidades a buscar soluções que conciliem memória histórica e desenvolvimento urbano. “Mesmo com mais de 60 anos de construção, seus edifícios preservam um modernismo que continua impressionando. Para muitos urbanistas, é uma cidade modelo”, frisou.
“Esse reconhecimento concedido pelas capitais ibero-americanas evidencia o esforço de Brasília na preservação e conservação de seu patrimônio. A premiação simboliza a atenção dedicada aos monumentos e às expressões culturais da cidade. Cuidar do patrimônio cultural não se limita à proteção de edificações históricas; envolve também resguardar a memória, a identidade e a diversidade, enquanto se buscam formas de equilibrar a preservação com o desenvolvimento”, enfatizou o secretário de relações Internacionais, Paco Britto, articulador junto à UCCI para que o evento acontecesse na capital.
Para o governador Ibaneis Rocha, o prêmio valoriza as belezas e a importância histórica da nossa capital. “Continuaremos trabalhando na manutenção e preservação da nossa cidade para que venham mais prêmios como esse”, afirmou o líder do Executivo local.
Compromisso
Outro momento marcante do encontro foi a assinatura da Carta de Brasília sobre Patrimônio Histórico Cultural, documento que estabelece diretrizes e compromissos conjuntos entre as cidades participantes para fortalecer políticas de preservação, educação patrimonial e valorização da memória coletiva. A carta propõe ampliar a cooperação técnica entre as capitais ibero-americanas e incentivar ações integradas que promovam o patrimônio cultural como elemento fundamental para o desenvolvimento urbano sustentável.
“As cidades da UCCI são muito diferentes entre si, mas compartilham o compromisso de valorizar o patrimônio cultural. Essa diversidade enriquece o diálogo e a cooperação entre nós”, disse Luciana Binaghi. “Preservando a memória do passado, nós podemos construir um futuro melhor para nossos filhos, corrigindo os erros do passado”, completa o secretário Paco Britto.
Fundada em Madri, em 1982, a União de Cidades Capitais Ibero-Americanas reúne 29 cidades de 24 países e representa mais de 76 milhões de habitantes. A entidade atua como plataforma de cooperação entre governos locais, promovendo intercâmbio de experiências, capacitação institucional e iniciativas voltadas ao desenvolvimento urbano sustentável e à valorização do patrimônio cultural.
Programação
A programação do II Comitê Setorial também incluiu visitas técnicas a importantes pontos do patrimônio cultural da capital federal. As atividades permitiram aos participantes conhecer de perto espaços emblemáticos do conjunto urbanístico de Brasília, além de iniciativas locais voltadas à conservação e gestão de bens culturais como a Praça dos três Poderes – incluindo a Casa de Chá -; a Ponte JK, o Teatro Nacional; a Catedral Metropolitana; palácios – Buriti e Planalto -; os prédios do Ministério da Justiça, do Itamaraty, Supremo Tribunal Federal (STF), Panteão da Pátria e Espaço oscar Niemeyer -, além da Quadra Modelo de Brasília (308 Sul) – onde conheceram a Igrejinha, a SQS 308, com direito à parada na Pizzaria Dom Bosco.
Reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco desde 1987, Brasília abriga um dos principais conjuntos urbanísticos modernistas do mundo, concebido por Lúcio Costa e com obras de Oscar Niemeyer.
Durante as mesas temáticas, foram discutidos desafios contemporâneos enfrentados pelas cidades na preservação de seu patrimônio, como a integração entre crescimento urbano e proteção histórica, o uso de tecnologias na gestão cultural e o fortalecimento da participação social nas políticas patrimoniais.
A realização do encontro reforça o papel de Brasília como protagonista no cenário ibero-americano quando o tema é patrimônio cultural. Para os organizadores, o intercâmbio de experiências entre as capitais participantes contribui para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes e colaborativas.
Com o reconhecimento internacional e a assinatura da Carta de Brasília, a capital federal encerra o evento consolidando novos compromissos com a preservação de seu patrimônio histórico e cultural, além de fortalecer a cooperação entre cidades ibero-americanas na construção de estratégias conjuntas para proteger e valorizar a memória urbana.










