Brasil e Noruega avançam em uma nova etapa de cooperação científica, tecnológica e empresarial voltada ao desenvolvimento de projetos nas áreas de energia sustentável, petróleo offshore e transporte marítimo de baixa emissão.

A iniciativa envolve a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e o Conselho de Pesquisa da Noruega (RCN), dentro da Rede Eureka, mecanismo internacional de cooperação em pesquisa, desenvolvimento e inovação. 

Projetos buscam transformar pesquisa em soluções comerciais

A chamada internacional tem como objetivo aproximar instituições de pesquisa e empresas dos dois países para desenvolver produtos, processos e serviços inovadores com potencial de comercialização.

As propostas precisam ser estruturadas por organizações brasileiras e norueguesas, combinando conhecimento científico, desenvolvimento tecnológico e participação empresarial. 

Três áreas estratégicas

A cooperação está concentrada em três grandes setores:

  • energia ambientalmente amigável;
  • petróleo offshore;
  • transporte marítimo verde.

Na área energética, podem ser desenvolvidas soluções relacionadas a fontes renováveis, hidrogênio, biocombustíveis e outras tecnologias de baixo carbono.

No transporte marítimo, o foco inclui tecnologias capazes de reduzir emissões e aumentar a eficiência das operações.

Finep disponibiliza até R$ 15 milhões

Para a participação brasileira, a Finep disponibilizará até R$ 15 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

Os projetos brasileiros poderão receber entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões, enquanto as empresas participantes deverão apresentar contrapartida mínima de 20% do valor total da proposta. 

Os projetos selecionados terão duração estimada entre 24 e 48 meses.

Consórcios entre empresas e instituições de pesquisa

Um dos requisitos da chamada é a formação de consórcios binacionais.

Cada proposta deve envolver, no mínimo, uma instituição de pesquisa e uma empresa de cada país.

A estrutura busca garantir que os projetos tenham tanto capacidade científica quanto potencial de aplicação industrial e comercial. Os recursos, atividades e direitos de propriedade intelectual também devem ser distribuídos de maneira equilibrada entre os participantes. 

Energia sustentável está entre as prioridades

O segmento de energia reúne algumas das principais possibilidades de cooperação.

Entre as tecnologias contempladas estão soluções relacionadas à energia solar, eólica, oceânica e hidrelétrica, além de bioenergia, hidrogênio e biocombustíveis. 

A cooperação ocorre em um contexto de expansão das discussões sobre transição energética e redução das emissões de gases de efeito estufa.

Petróleo offshore continua relevante

Apesar do avanço das fontes renováveis, o petróleo offshore continua sendo uma área importante na relação econômica e tecnológica entre os dois países.

Brasil e Noruega possuem experiência significativa em exploração e produção de petróleo em águas profundas e mantêm uma relação empresarial consolidada nesse segmento. O governo norueguês destaca o Brasil como um dos mercados importantes para fornecedores noruegueses ligados à indústria offshore. 

A chamada permite, portanto, combinar tecnologias desenvolvidas para o setor offshore com iniciativas de inovação e eficiência.

Transporte marítimo verde ganha espaço

Outra frente importante é a modernização do transporte marítimo.

Os projetos podem envolver combustíveis de baixa ou zero emissão, infraestrutura portuária, digitalização, navegação, eficiência operacional e novas tecnologias para embarcações. 

A área já possui uma base de cooperação bilateral estabelecida.

Em fevereiro de 2025, Brasil e Noruega assinaram um memorando de entendimento para desenvolver um corredor marítimo sustentável entre os dois países, utilizando tecnologias avançadas e combustíveis de baixo ou zero carbono. 

Parceria também envolve descarbonização

O transporte marítimo é responsável por uma parcela relevante das emissões do setor de transportes, o que tem levado governos e empresas a buscar alternativas de menor impacto ambiental.

A parceria entre Brasil e Noruega prevê justamente o desenvolvimento de tecnologias e cadeias de valor associadas à descarbonização da navegação.

Entre as possibilidades estão combustíveis alternativos, eficiência energética e soluções digitais para operações marítimas. 

Noruega mantém forte presença no Brasil

A cooperação tecnológica acompanha uma relação econômica de grande dimensão.

Dados divulgados pelo governo norueguês indicam que os investimentos da Noruega no Brasil chegaram a aproximadamente US$ 14 bilhões em 2024.

Cerca de 300 empresas norueguesas atuam no mercado brasileiro, com presença especialmente relevante nos setores de energia, petróleo, offshore e indústria marítima. 

Energia renovável também recebe investimentos

Além do petróleo e gás, empresas norueguesas vêm ampliando investimentos em fontes renováveis no Brasil.

Desde 2023, companhias norueguesas investiram aproximadamente US$ 1,8 bilhão em projetos brasileiros de energia renovável, incluindo energia solar, eólica, bioenergia, hidrogênio e soluções industriais de baixo carbono. 

O movimento amplia a cooperação bilateral para além da indústria tradicional de petróleo.

Tecnologia e inovação no centro da parceria

A cooperação entre os dois países também envolve pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico.

O governo norueguês aponta a colaboração em pesquisa de petróleo, energia, digitalização e transição verde como áreas importantes da relação bilateral. 

A nova chamada da Finep e do Conselho de Pesquisa da Noruega amplia esse eixo ao aproximar diretamente universidades, instituições científicas e empresas.

Projetos terão foco em aplicação prática

Um dos diferenciais da iniciativa é a exigência de que os projetos tenham perspectiva concreta de chegar ao mercado.

A proposta não está limitada à pesquisa acadêmica. Os participantes deverão demonstrar potencial para transformar os resultados obtidos em produtos, processos ou serviços comercializáveis.

Essa característica busca aproximar pesquisa científica e desenvolvimento industrial.

Cooperação fortalece cadeias de inovação

A formação de parcerias entre empresas brasileiras e norueguesas pode contribuir para a criação de novas cadeias de fornecimento e desenvolvimento tecnológico.

Em áreas como energia, petróleo offshore e transporte marítimo, a integração entre fornecedores, centros de pesquisa e empresas pode facilitar a transferência de conhecimento e a criação de soluções adaptadas às necessidades dos dois mercados.

Brasil tem posição estratégica

O Brasil possui uma matriz energética diversificada, grande potencial para geração renovável e uma extensa indústria de petróleo offshore.

Ao mesmo tempo, o país possui uma das maiores extensões de litoral do mundo e uma forte dependência do transporte marítimo para suas atividades de comércio exterior.

Essas características criam espaço para projetos relacionados tanto à produção de energia quanto à modernização e descarbonização da infraestrutura marítima.

Noruega reúne experiência em tecnologia marítima

A Noruega possui uma indústria marítima desenvolvida e experiência em tecnologias voltadas para redução de emissões.

O governo norueguês destaca que empresas do país atuam no Brasil principalmente nos setores offshore e marítimo, enquanto a cooperação bilateral inclui temas como regulamentação, digitalização, educação, competência técnica e transição verde. 

Uma parceria que combina energia e sustentabilidade

A cooperação Brasil-Noruega reúne dois segmentos que podem parecer distintos, mas que atualmente estão cada vez mais interligados.

De um lado, o desenvolvimento de petróleo e gás offshore continua demandando novas tecnologias. De outro, cresce a necessidade de reduzir emissões e ampliar o uso de fontes renováveis.

A pesquisa e a inovação podem atuar justamente na interface entre essas duas agendas.

Próximas etapas

A chamada prevê etapas específicas para apresentação e avaliação dos projetos.

O cadastro das instituições brasileiras deve ser concluído até 2 de setembro de 2026, enquanto a submissão internacional das propostas está prevista para 9 de setembro.

A divulgação dos projetos que receberão o Selo Eureka está prevista para novembro. Depois disso, haverá uma etapa nacional para detalhamento da participação brasileira, com resultado final esperado para fevereiro de 2027. 

Brasil e Noruega ampliam agenda tecnológica

A nova rodada de projetos reforça uma relação bilateral que já envolve comércio, investimentos, energia, pesquisa, indústria offshore e transporte marítimo.

Com recursos públicos brasileiros, participação empresarial e cooperação científica com a Noruega, a iniciativa pretende desenvolver tecnologias aplicáveis aos desafios de energia, produção offshore e descarbonização do transporte marítimo.

O programa representa mais uma frente de cooperação entre os dois países e amplia o espaço para empresas e instituições de pesquisa brasileiras participarem de projetos internacionais de inovação.