A Bélgica ainda não transferiu nenhum dos 30 caças F-16 Fighting Falcon prometidos à Ucrânia, apesar de o compromisso ter sido anunciado há cerca de dois anos como parte do esforço internacional de apoio a Kiev na guerra contra a Rússia. Autoridades militares belgas explicaram que a entrega das aeronaves foi adiada para garantir que o país mantenha sua própria capacidade operacional durante a modernização de sua força aérea.

Atualmente, a aviação militar belga ainda depende de pouco mais de cinquenta unidades do F-16 nas versões A e B, aeronaves que constituem a base de suas operações desde o final da Guerra Fria. Esses aviões estão sendo gradualmente aposentados à medida que o país introduz o novo F-35A Lightning II, modelo escolhido em 2018 para substituir a frota existente e assegurar a interoperabilidade com os padrões da OTAN nas próximas décadas.

Modernização da frota explica o atraso

O governo belga encomendou inicialmente 34 unidades do F-35A, mas posteriormente decidiu ampliar o programa para cerca de 45 aeronaves. Parte dos novos jatos já foi entregue e permanece nos Estados Unidos para treinamento de pilotos e equipes de manutenção. Ao mesmo tempo, os primeiros aviões destinados à operação permanente no país começaram a chegar à base aérea de Base Aérea de Florennes.

A transição completa para a nova geração de caças deve levar vários anos. Enquanto esse processo não estiver mais avançado, as autoridades afirmam que os F-16 continuarão sendo necessários para missões de defesa aérea, policiamento do espaço aéreo e compromissos militares assumidos com a OTAN.

Segundo o major-general Geert De Decker, qualquer decisão sobre a liberação das aeronaves para a Ucrânia depende de fatores como disponibilidade de aviões em condições de voo, ciclos de manutenção, estoque de peças e número de pilotos treinados.

Preparação ucraniana também influencia cronograma

Outro fator que influencia o calendário é a própria preparação da Ucrânia para operar aeronaves de padrão ocidental. O processo inclui treinamento de pilotos, formação de equipes técnicas, adaptação de bases aéreas e criação de uma estrutura logística capaz de sustentar operações com equipamentos utilizados por países da OTAN.

Apesar do atraso belga, outros aliados europeus já começaram a transferir seus próprios F-16. A Holanda prometeu 24 aeronaves, a Dinamarca anunciou a entrega de 19 e a Noruega também disponibilizou mais de uma dezena de aviões para o programa.

Analistas estimam que, somando todas as promessas internacionais, Kiev poderá receber entre 90 e 100 caças F-16 ao longo dos próximos anos.

Salto tecnológico para a aviação ucraniana

Para a Ucrânia, a chegada dessas aeronaves representa um avanço significativo em relação à frota atual, composta principalmente por caças de origem soviética como o MiG-29 e o Su-27. O F-16 permite o uso de armamentos guiados mais modernos, melhora a capacidade de interceptação e facilita a integração com sistemas de comando e controle utilizados pelos países da OTAN.

No caso da Bélgica, autoridades indicam que as transferências deverão ocorrer gradualmente à medida que mais F-35 entrarem em serviço. Alguns planos discutidos internamente apontam que os primeiros aviões poderão ser enviados na segunda metade da década, com novas entregas ocorrendo até o final dos anos 2020.

Enquanto isso, Bruxelas continua participando do esforço internacional de apoio a Kiev por meio de programas de treinamento, planejamento logístico e coordenação com aliados da OTAN para garantir que os caças, quando finalmente entregues, possam ser empregados de forma eficaz nas operações de defesa da Ucrânia.