Uma impressionante aurora austral de coloração verde foi observada do espaço pela astronauta Jessica Meir durante sua permanência na Estação Espacial Internacional (ISS). O fenômeno, registrado em imagens e vídeos divulgados nas redes sociais da astronauta, chamou a atenção por apresentar um comportamento incomum e por proporcionar uma visão privilegiada da atmosfera terrestre.
O registro ocorreu em 5 de junho, enquanto Meir permanecia temporariamente na cápsula SpaceX Dragon, posicionada externamente à estação espacial. Segundo a integrante da missão, o espetáculo luminoso se destacou pela forma como se movimentava, criando um efeito semelhante ao de ondas sinuosas diretamente abaixo da órbita da ISS.
Ao compartilhar um vídeo em timelapse do fenômeno, Jessica Meir descreveu a experiência como uma das mais marcantes que já testemunhou no espaço. A astronauta afirmou que, ao contrário de outras auroras que observou anteriormente, desta vez as luzes pareciam dançar e se mover de maneira intensa, produzindo uma cena que classificou como emocionante e fascinante.
A aurora austral, conhecida cientificamente como aurora australis, é um fenômeno semelhante à aurora boreal, porém ocorre nas regiões próximas ao Polo Sul. Sua formação está relacionada à atividade solar. Partículas carregadas liberadas pelo Sol alcançam a Terra e interagem com o campo magnético do planeta, sendo direcionadas para as áreas polares.
Quando essas partículas entram em contato com gases presentes nas camadas superiores da atmosfera, ocorre a liberação de energia em forma de luz. As cores observadas variam conforme o tipo de gás e a altitude em que a interação acontece. No caso das tonalidades verdes registradas pela astronauta, a explicação está na presença do oxigênio em regiões mais baixas da atmosfera terrestre.
Especialistas destacam que a Terra não é o único planeta a apresentar esse espetáculo natural. Outros corpos do Sistema Solar que possuem atmosfera e campo magnético também registram auroras. Júpiter, por exemplo, abriga os eventos mais intensos já conhecidos, com brilho que pode superar em centenas de vezes a intensidade das auroras terrestres.
Jessica Meir integra atualmente a missão SpaceX Crew-12, que chegou à Estação Espacial Internacional em fevereiro e deverá permanecer em órbita por cerca de oito meses. A equipe desenvolve uma série de pesquisas voltadas tanto para avanços na medicina quanto para futuras viagens tripuladas de longa duração.
Entre os experimentos conduzidos pelos astronautas estão estudos sobre os impactos de determinadas bactérias no coração humano, a produção de fluidos intravenosos em ambiente espacial e os efeitos da microgravidade sobre a circulação sanguínea, informações consideradas importantes para missões futuras destinadas à Lua e a Marte.
O momento em que a aurora foi observada coincidiu com uma operação preventiva realizada na estação espacial. Na mesma data, a NASA orientou os integrantes da Crew-12 e o astronauta Chris Williams a permanecerem temporariamente na cápsula da SpaceX, enquanto cosmonautas russos realizavam trabalhos para solucionar um vazamento de ar detectado em um módulo sob responsabilidade da Rússia.
As imagens compartilhadas por Jessica Meir oferecem mais uma demonstração da beleza dos fenômenos naturais observados do espaço e reforçam o valor científico das missões desenvolvidas na Estação Espacial Internacional, considerada um dos principais laboratórios de pesquisa em órbita da Terra.









