O discurso de defesa da democracia e da liberdade precisa encontrar correspondência no tratamento dispensado às pessoas, especialmente àquelas que exercem o direito de questionar.

Respeitar o Brasil não se resume a discursos patrióticos, declarações públicas ou manifestações de amor à bandeira nacional. O respeito a um país começa pela maneira como são tratados seus cidadãos, suas mulheres e os profissionais que trabalham para informar a sociedade.

No ambiente político, é comum ouvir referências à liberdade, à democracia e aos valores nacionais. Entretanto, esses princípios precisam estar presentes também nas atitudes cotidianas, inclusive no relacionamento com quem pensa diferente, faz perguntas incômodas ou exerce sua profissão com independência.

O jornalismo profissional tem papel fundamental nesse processo. Repórteres não devem ser tratados como adversários por fazerem perguntas, investigarem acontecimentos ou publicarem informações de interesse público. O respeito à imprensa não exige concordância com suas reportagens, mas pressupõe o reconhecimento de seu direito de trabalhar sem intimidação, constrangimento ou discriminação.

O mesmo princípio vale para as mulheres, que têm direito ao respeito e à igualdade de tratamento, independentemente de suas posições políticas, atividades profissionais ou opiniões pessoais.

A defesa da liberdade de expressão também precisa incluir aqueles de quem discordamos. Não basta reivindicar esse direito para si e negar sua importância quando é exercido por outras pessoas.

Em tempos de polarização, a coerência entre discurso e comportamento merece atenção especial. A credibilidade de qualquer compromisso público com a democracia depende também da disposição de respeitar os direitos dos demais.

Quem afirma respeitar o Brasil precisa demonstrar esse respeito no tratamento aos brasileiros, às mulheres e aos jornalistas profissionais. Sem essa coerência, o discurso corre o risco de se transformar em mera retórica..