Cerimônia promovida pela Embaixada da Hungria recordou os acontecimentos de 1956, a chegada de refugiados ao Brasil e os laços culturais entre os dois países
A história da Hungria e sua presença na sociedade brasileira estiveram em destaque durante a celebração da data nacional do país, realizada em Brasília. A cerimônia, conduzida pelo embaixador Miklós Halmai, marcou os 70 anos da Revolução Húngara de 1956, episódio que se tornou símbolo da luta pela liberdade e independência nacional.
A programação reuniu homenagens históricas, manifestações culturais e referências às relações diplomáticas entre Brasil e Hungria. Um dos momentos da celebração foi a apresentação de piano de Kinga, esposa do embaixador, que interpretou obras dos compositores húngaros Béla Bartók e Zoltán Kodály. A banda da Força Aérea Brasileira também participou da solenidade, com a execução dos hinos nacionais.
A presença da cultura húngara no Brasil tem raízes que atravessam gerações. Após a repressão à revolução de 1956, aproximadamente 200 mil húngaros deixaram seu país em busca de segurança e de uma nova vida. Parte desses refugiados encontrou acolhimento em território brasileiro, onde constituiu famílias e ajudou a preservar tradições que permanecem vivas entre seus descendentes.
Em seu pronunciamento, Miklós Halmai recordou os acontecimentos de 23 de outubro de 1956, quando manifestações iniciadas por estudantes em Budapeste ganharam apoio popular e se transformaram em um movimento contra o domínio soviético. A revolução foi reprimida militarmente, deixando um legado que continua presente na memória nacional.
Um dos símbolos mais conhecidos daquele período foi a bandeira húngara com um círculo aberto no centro, resultado da retirada do emblema comunista pelos manifestantes. A imagem passou a representar a resistência e o desejo de liberdade da população.
A celebração também trouxe referências à agenda bilateral. O embaixador mencionou os contatos mantidos entre autoridades brasileiras e húngaras, incluindo a reunião dos ministros das Relações Exteriores dos dois países durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em setembro, em Nova York.
As perspectivas de cooperação em diferentes áreas e os contatos institucionais no setor de defesa também fizeram parte dos assuntos abordados durante a cerimônia.
Outra homenagem anunciada para marcar a data foi a iluminação do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, com as cores da bandeira da Hungria. A iniciativa foi prevista para esta sexta-feira, 23 de outubro, entre 19h e 21h, como parte das comemorações pelos 70 anos da revolução.
Sete décadas depois dos acontecimentos de Budapeste, a data permanece como uma das principais referências históricas da Hungria. No Brasil, a celebração também representa uma oportunidade de recordar a trajetória dos imigrantes húngaros e os vínculos construídos entre as duas sociedades ao longo dos anos.










