A Etiópia estabeleceu a meta de reduzir em 74,3% as emissões de gases de efeito estufa até 2030, tomando como referência um cenário em que não sejam adotadas medidas adicionais de redução. O compromisso foi anunciado pelo ministro da Água e Energia, Habtamu Itefa, durante a 65ª sessão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), realizada em Adis Abeba.

A estratégia climática do país africano prevê ampliar a geração de energia renovável, intensificar o plantio de árvores e recuperar áreas degradadas. As iniciativas fazem parte dos esforços nacionais para conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e a adaptação às mudanças climáticas.

Energia renovável e recuperação ambiental

Entre as principais medidas apresentadas pelo governo estão a expansão das fontes hidrelétrica, eólica e solar, além da recuperação de paisagens afetadas pela degradação ambiental. O país também busca ampliar o fornecimento de eletricidade de origem limpa a nações vizinhas, contribuindo para a transição energética regional.

Outro eixo da política ambiental é a iniciativa Legado Verde, voltada ao aumento da cobertura florestal e à restauração de ecossistemas. Segundo Habtamu Itefa, mais de 56 bilhões de árvores já foram plantadas no país por meio dos esforços associados ao programa.

O ministro também informou que a cobertura florestal da Etiópia passou de 17,2% para 23,6%. Além do plantio, as ações incluem a recuperação de áreas degradadas, a melhoria da fertilidade do solo e iniciativas destinadas a beneficiar as comunidades locais.

Mudanças climáticas pressionam agricultura e recursos hídricos

Apesar dos avanços anunciados, a Etiópia enfrenta impactos crescentes associados às mudanças climáticas. A irregularidade das chuvas, as secas recorrentes e as inundações afetam diferentes regiões e provocam consequências para a agricultura, a disponibilidade de água e a produção de energia.

As estiagens podem causar perdas nas colheitas e na criação de animais, comprometendo a renda das comunidades e a segurança alimentar. Diante desse cenário, o governo considera a estratégia de Economia Verde Resiliente ao Clima um dos pilares das políticas nacionais de desenvolvimento.

A redução das emissões, portanto, integra uma agenda mais ampla, que também envolve aumentar a capacidade de adaptação do país e diminuir a vulnerabilidade de sua população aos eventos climáticos extremos.

Ciência orienta as políticas climáticas

Durante a reunião do IPCC, Habtamu Itefa ressaltou a importância das evidências científicas para a formulação das políticas ambientais. O país utiliza metodologias do painel na elaboração de inventários nacionais de gases de efeito estufa e busca incorporar as avaliações científicas às estratégias de desenvolvimento.

O presidente do IPCC, Jim Skea, elogiou os preparativos da Etiópia e de Adis Abeba para sediar a sessão. Já o diretor-geral do Instituto Meteorológico Etíope, Fetene Teshome, destacou que, embora a África contribua relativamente pouco para as emissões globais, o continente está entre as regiões mais vulneráveis à variabilidade climática e às mudanças no clima.

Teshome defendeu o fortalecimento das medidas de adaptação, o aumento da resiliência e a ampliação do acesso a serviços climáticos que apoiem decisões de governos, pesquisadores e comunidades.

A meta de redução de 74,3% até 2030 reforça a ambição climática da Etiópia. Seu cumprimento dependerá da continuidade das políticas públicas, da expansão das fontes renováveis e da capacidade de enfrentar os impactos ambientais que já afetam o país.