Pesquisadores chineses desenvolveram uma tecnologia baseada na interface cérebro-computador que permite recuperar parcialmente a percepção visual em pessoas que perderam a visão devido a danos neurológicos. O avanço foi divulgado pelo jornal China Daily, parceiro da rede internacional TV BRICS.

Um dos pacientes beneficiados pela inovação é um homem identificado pelo sobrenome Qiu, que viveu por mais de 30 anos com deficiência visual. Após passar por um procedimento cirúrgico para receber um pequeno chip implantado na esclera, a camada externa do globo ocular, ele voltou a reconhecer números, escrever caracteres chineses e letras do alfabeto latino. Também conseguiu identificar objetos e desviar de obstáculos durante caminhadas.

O funcionamento do sistema depende de óculos especiais equipados com câmeras. Os dispositivos captam imagens do ambiente e as transformam em sinais elétricos, que são processados por um equipamento externo e enviados sem fio ao implante. O chip estimula estruturas nervosas próximas ao olho, transmitindo impulsos que chegam ao córtex visual do cérebro. Com treinamento, o paciente aprende a interpretar essas informações e a utilizá-las para reconhecer elementos ao seu redor.

Uma das características da tecnologia é a posição do implante. Em vez de ser inserido no interior do globo ocular, o dispositivo é colocado na parede externa do olho. O sistema também dispensa fios de conexão entre os componentes internos e externos, além de não depender de acessórios magnéticos externos. Essas características foram desenvolvidas para simplificar a estrutura do equipamento e reduzir os riscos associados à intervenção cirúrgica.

A solução poderá abrir novas possibilidades para pessoas com diferentes condições que provocam cegueira irreversível relacionada a danos no sistema visual. Entre as doenças potencialmente contempladas estão a retinose pigmentar, o glaucoma em estágio avançado e a retinopatia diabética. A aplicação dependerá, contudo, das características de cada paciente e da evolução das pesquisas clínicas.

Apesar dos resultados iniciais, a tecnologia ainda apresenta limitações importantes. O reconhecimento de imagens detalhadas exige prática prolongada, enquanto a reprodução de cores e a percepção de profundidade continuam sendo desafios para os pesquisadores. A visão artificial obtida por meio do dispositivo ainda não se equipara à visão natural.

As próximas etapas do desenvolvimento buscam aprimorar a qualidade das informações visuais transmitidas ao cérebro. O avanço da inteligência artificial e o conhecimento mais preciso das conexões entre os olhos, os nervos e o cérebro poderão contribuir para tornar esses sistemas mais eficientes.

A pesquisa representa mais um passo na investigação de alternativas tecnológicas para pessoas com perda visual severa. Embora ainda existam obstáculos científicos e clínicos a superar, os resultados indicam novas possibilidades para ampliar a autonomia e a qualidade de vida de pacientes com determinados tipos de cegueira.