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A China anunciou a candidatura de Song Li ao cargo de diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), colocando uma especialista em saúde materna e infantil na disputa para comandar uma das principais instituições de saúde pública do mundo.

A indicação foi divulgada nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, pelo governo chinês. Song Li deverá concorrer à sucessão de Tedros Adhanom Ghebreyesus, que está no fim de seu segundo mandato à frente da organização e não poderá disputar um terceiro período.

Quem é Song Li, candidata da China à OMS

Song Li possui uma trajetória de aproximadamente duas décadas na área de saúde pública e atualmente ocupa uma posição de liderança relacionada à saúde da mulher e da criança na Comissão Nacional de Saúde da China.

Sua experiência inclui políticas públicas voltadas à saúde materno-infantil, cooperação internacional e atuação em situações de emergência sanitária.

Ao longo da carreira, a especialista também participou da elaboração de políticas e normas relacionadas à proteção da saúde de mulheres e crianças.

Song esteve envolvida ainda em respostas chinesas a diferentes crises sanitárias, incluindo episódios de SARS, gripe aviária e a pandemia de Covid-19.

Disputa pelo comando da Organização Mundial da Saúde

A eleição do próximo diretor-geral da OMS será realizada pelos países-membros durante a Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2027.

Tedros Adhanom Ghebreyesus permanecerá no cargo até agosto de 2027. Pelas regras da organização, o diretor-geral pode exercer no máximo dois mandatos de cinco anos, o que impede uma nova candidatura do atual chefe da OMS.

A disputa já reúne nomes de diferentes regiões do mundo. Entre os candidatos anunciados anteriormente estão representantes de Catar, Arábia Saudita, Bélgica, Espanha, Indonésia e Botsuana.

A lista definitiva de candidatos será formalizada após as últimas reuniões dos comitês regionais da organização.

China busca ampliar atuação internacional

A entrada de uma candidata chinesa na corrida ocorre em um momento de mudanças na participação das grandes potências nas instituições multilaterais.

Pequim tem buscado ampliar sua presença em organismos internacionais e defende uma atuação mais forte das instituições multilaterais em áreas como saúde, desenvolvimento e cooperação entre países.

A candidatura de Song Li também acontece após a retirada dos Estados Unidos da OMS, movimento que modificou o cenário político e financeiro envolvendo a organização.

Com a indicação, a China passa a disputar diretamente o comando de uma entidade responsável por coordenar ações internacionais relacionadas a epidemias, emergências sanitárias, vacinação, políticas de saúde e prevenção de doenças.

Experiência com crises sanitárias pode pesar

Um dos pontos de destaque na trajetória de Song Li é a experiência acumulada em políticas de saúde pública e na resposta a emergências.

Durante a pandemia de Covid-19, a especialista participou de iniciativas relacionadas à definição de protocolos e orientações para proteção da saúde materna e infantil.

A experiência em cooperação internacional também faz parte do perfil apresentado pelo governo chinês para sua candidata.

Caso seja escolhida, Song terá pela frente desafios que vão além da coordenação de respostas a emergências sanitárias. A OMS também enfrenta discussões sobre financiamento, preparação para novas epidemias, acesso a medicamentos e vacinas e fortalecimento da cooperação internacional.

Eleição terá disputa internacional

A sucessão de Tedros deverá reunir candidatos de diferentes países e regiões, tornando a escolha um processo de forte dimensão internacional.

O Conselho Executivo da OMS terá papel importante na etapa anterior à votação final. O processo prevê uma redução do número de concorrentes antes que os países-membros escolham o novo diretor-geral na Assembleia Mundial da Saúde.

A candidatura chinesa acrescenta uma nova dimensão à disputa justamente em um período marcado por mudanças na relação entre grandes potências e organismos multilaterais.

Novo comando será definido em 2027

A escolha do próximo diretor-geral deverá definir os rumos da OMS para os próximos anos. O ocupante do cargo terá a responsabilidade de coordenar a atuação da organização diante de crises sanitárias e de negociar com governos de diferentes posições políticas e econômicas.

A indicação de Song Li representa, portanto, a entrada formal da China em uma disputa que deverá ganhar intensidade nos próximos meses.

A eleição está prevista para maio de 2027, quando os países-membros da Organização Mundial da Saúde deverão escolher quem substituirá Tedros Adhanom Ghebreyesus no comando da entidade.