A Indonésia iniciou a construção de 15 usinas solares distribuídas por seis províncias como primeira etapa de um amplo programa destinado a ampliar a participação da energia solar na matriz elétrica do país.

A iniciativa faz parte de um plano que prevê o desenvolvimento de 100 gigawatts-pico (GWp) de capacidade solar. Os projetos incluem tanto usinas instaladas em terra quanto sistemas solares flutuantes.

As novas instalações estão sendo construídas nas províncias de Java Oriental, Java Central e Java Ocidental, além de projetos em Bali, nas Ilhas Riau e nas Ilhas Bangka-Belitung.

Segundo Muhammad Kodari, chefe da Agência de Comunicações do Governo da Indonésia (Bakom), os projetos deverão receber investimentos estimados em 135 trilhões de rúpias, valor equivalente a aproximadamente R$ 627 bilhões. O financiamento deverá contar com participação de empresas nacionais e internacionais.

Programa prevê redução dos gastos públicos

Além de ampliar a geração de eletricidade a partir de uma fonte renovável, o programa também foi estruturado com o objetivo de reduzir custos para o governo indonésio.

De acordo com Kodari, somente a primeira etapa, composta pelas 15 usinas, poderá gerar uma economia potencial de aproximadamente 4,6 trilhões de rúpias por ano, cerca de R$ 21,3 bilhões.

O programa foi lançado oficialmente em 25 de agosto de 2026, durante uma cerimônia conduzida pelo presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, em Jembrana, na ilha de Bali. Na ocasião, também foi iniciado o processo de construção dos primeiros projetos.

Indonésia busca reduzir dependência de combustíveis fósseis

A expansão da energia solar está inserida nos esforços da Indonésia para ampliar o uso de fontes renováveis e diminuir sua dependência de combustíveis fósseis.

Atualmente, a capacidade instalada de energia solar no país é de aproximadamente 1,76 GW, enquanto a capacidade total de geração elétrica da Indonésia chega a cerca de 108 GW.

O potencial técnico de geração solar do arquipélago, por outro lado, é estimado em mais de 3,2 mil GW, indicando uma ampla margem para expansão da fonte.

Diesel deve perder espaço na matriz energética

Uma das metas do programa é reduzir o consumo de óleo diesel utilizado na geração de eletricidade.

Segundo as estimativas apresentadas pelo governo, a iniciativa poderá diminuir o uso de diesel em até 6 milhões de quilolitros por ano. A economia potencial para o Estado poderia chegar a 73,9 trilhões de rúpias anuais, aproximadamente R$ 347 bilhões.

A substituição gradual de combustíveis fósseis por fontes renováveis também está relacionada às metas climáticas assumidas pela Indonésia.

Programa pode gerar milhões de empregos

Além dos investimentos em infraestrutura energética, o plano também possui uma dimensão econômica e social.

As autoridades estimam que a expansão prevista possa contribuir para a criação de aproximadamente 5,52 milhões de empregos.

A eletricidade produzida pelos novos projetos deverá beneficiar diferentes segmentos da economia, incluindo micro, pequenas e médias empresas.

O programa também prevê aplicações relacionadas à atividade pesqueira, inclusive com a possibilidade de utilização de embarcações movidas a eletricidade.

Energia solar ganha espaço na estratégia nacional

A expansão dos projetos solares ocorre em paralelo a outras iniciativas da Indonésia relacionadas à transição energética. O país também participa de discussões internacionais sobre energia renovável e sustentabilidade no âmbito do BRICS, grupo do qual passou a fazer parte como membro permanente em 2025.

Com o início da construção das 15 primeiras usinas, Jacarta dá um novo passo na estratégia de ampliar a geração renovável e utilizar seu elevado potencial solar.

O programa de 100 GWp representa uma mudança de escala para o setor e deverá aumentar gradualmente a participação da energia solar na matriz elétrica indonésia nos próximos anos.