Polônia e Lituânia estão avançando na elaboração de um plano conjunto para uma eventual evacuação de civis dos países bálticos em meio a uma crise grave ou ameaça militar na Europa. A proposta prevê a possibilidade de moradores da Lituânia, Letônia e Estônia atravessarem a fronteira polonesa caso uma situação de emergência exija a retirada de parte da população.
O planejamento ainda está em fase de elaboração. Autoridades dos dois países analisam procedimentos, logística e capacidade da infraestrutura necessária para receber e transportar um grande número de pessoas. Um acordo bilateral deverá estabelecer as bases para a criação do plano definitivo.
Exercícios testam evacuação da população
A preparação ocorre paralelamente a grandes exercícios nacionais realizados na Lituânia. As atividades começaram em 25 de setembro e foram planejadas para testar o sistema de mobilização do país e a capacidade de diferentes instituições de atuar conjuntamente durante uma situação de crise.
Os exercícios incluem testes de alerta à população, organização de pontos de concentração, identificação e registro de pessoas, transporte e deslocamento de evacuados por diferentes regiões.
Cerca de 3 mil funcionários públicos, agentes e representantes de instituições, municípios, empresas e organizações não governamentais participam das atividades. Aproximadamente mil voluntários também integram os exercícios, além de uma delegação de cerca de 20 representantes de instituições polonesas.
As autoridades lituanas destacam que os treinamentos têm caráter preventivo e servem para testar procedimentos de resposta a crises. A realização dos exercícios, segundo o governo, não significa que uma ameaça militar imediata seja esperada.
Corredor de Suwałki ganha importância estratégica
Um dos principais pontos do planejamento é o corredor de Suwałki, faixa de território que conecta a Polônia à Lituânia e representa a principal ligação terrestre entre os países bálticos e o restante da União Europeia e da área da OTAN.
A região é considerada estratégica tanto para operações militares e logísticas quanto para uma eventual retirada de civis. Em uma crise de grandes proporções, as estradas e demais estruturas da área poderiam ser utilizadas para transportar pessoas e recursos.
O responsável pelo Centro Nacional de Gestão de Crises da Lituânia, Vilmantas Vitkauskas, destacou a importância militar e logística do corredor durante os preparativos para a cooperação com a Polônia.
Polônia se prepara para receber evacuados
O planejamento também envolve o território polonês. O país trabalha na preparação de estruturas capazes de receber pessoas retiradas dos Estados bálticos caso uma situação de emergência provoque uma evacuação em larga escala.
Representantes da Lituânia e da Letônia estiveram na Polônia em setembro para conhecer procedimentos relacionados à evacuação em massa, proteção civil, recepção e acomodação de pessoas deslocadas.
A região polonesa de Podláquia, próxima à fronteira com a Lituânia, também está sendo considerada para desempenhar um papel importante como corredor de trânsito para os evacuados.
Lituânia já possui plano próprio
A iniciativa conjunta amplia um planejamento que a própria Lituânia já havia desenvolvido para situações de ameaça militar ou outras crises graves.
Uma das principais rotas previstas parte da capital, Vilnius, em direção à fronteira com a Polônia. A integração desse planejamento com estruturas polonesas permitiria ampliar a capacidade de retirada e, em determinadas circunstâncias, incluir também cidadãos da Letônia e da Estônia.
A proposta, portanto, não se limita a uma operação bilateral. O objetivo é criar mecanismos que possam atender uma emergência envolvendo mais de um dos três países bálticos.
Preparação civil ganha espaço na segurança europeia
O avanço do plano ocorre em um momento de reforço das medidas de preparação civil em países do flanco oriental da Europa.
Para Polônia e Lituânia, a elaboração antecipada de procedimentos permite identificar gargalos de transporte, infraestrutura, comunicação e acolhimento antes de uma eventual situação de emergência.
Os exercícios também servem para avaliar como autoridades nacionais, governos locais, empresas, organizações civis e voluntários poderiam atuar de forma coordenada diante de uma grande movimentação populacional.
A previsão é que o plano detalhado de evacuação transfronteiriça seja desenvolvido após a conclusão de um acordo específico entre Varsóvia e Vilnius. Até o momento, trata-se de uma medida de planejamento e treinamento, e não de uma ordem de evacuação ou de uma indicação oficial de que uma guerra seja iminente.









