O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja a Nova York para participar da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. No discurso previsto para terça-feira (22), o chefe do Executivo brasileiro deverá destacar a defesa do multilateralismo, o diálogo entre países e a necessidade de atualizar a estrutura do Conselho de Segurança da ONU.
A participação ocorre em um cenário internacional marcado por conflitos armados, disputas geopolíticas e discussões sobre a capacidade das instituições multilaterais de responder aos desafios atuais.
Brasil defende mudanças na estrutura da ONU
A reforma das Nações Unidas está entre os principais pontos da agenda brasileira. O governo defende mudanças na composição e no funcionamento do Conselho de Segurança, órgão responsável por questões relacionadas à paz e à segurança internacionais.
A posição brasileira é de que a estrutura atual precisa refletir melhor a configuração política e econômica do mundo contemporâneo, ampliando a participação de países que atualmente possuem menor representação nos principais mecanismos de decisão internacional.
A discussão também aparece entre as prioridades do Brics. Na declaração divulgada após a cúpula do grupo, os países reafirmaram a defesa de uma reforma abrangente da ONU e destacaram a necessidade de ampliar a representação dos países em desenvolvimento.
Multilateralismo como eixo da política externa
Outro tema central da participação brasileira será o multilateralismo, conceito que prevê a atuação conjunta dos países por meio de instituições e mecanismos internacionais.
Lula deverá defender a negociação e o diálogo como instrumentos para solucionar disputas, além do respeito ao direito internacional humanitário e do princípio de não interferência nos assuntos internos de outros Estados.
A abordagem ocorre enquanto diferentes conflitos internacionais pressionam organismos multilaterais e ampliam o debate sobre o papel da ONU na prevenção e na resolução de crises.
Agenda de Lula em Nova York
A programação presidencial prevê encontros bilaterais ao longo da segunda-feira (21). Na manhã de terça-feira, Lula deverá se reunir com o secretário-geral da ONU, António Guterres, antes de participar da abertura do debate geral da Assembleia.
A viagem também inclui discussões sobre temas como a situação da Palestina, a proposta de solução de dois Estados, desigualdade, direito internacional humanitário e consolidação da paz.
Está prevista ainda uma possível reunião com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Até o momento da preparação da agenda, não havia confirmação oficial de um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Atuação brasileira durante a Assembleia Geral
Além da agenda presidencial, ministros brasileiros participarão de diferentes reuniões multilaterais durante a semana da Assembleia Geral.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, terá compromissos relacionados ao Brics, ao Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), ao G77, ao G4, ao L69, à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), à Celac e ao Consenso de Brasília.
Vieira também presidirá reuniões ministeriais da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).
Combate à fome e cooperação internacional
A agenda brasileira também inclui a atuação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada durante a presidência brasileira do G20.
O ministro Wellington Dias, copresidente da iniciativa, participará de encontros relacionados à segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional.
A participação brasileira amplia a agenda da delegação para além das questões de segurança internacional, incluindo temas econômicos e sociais discutidos no sistema das Nações Unidas.
Delegação brasileira em Nova York
Além de Mauro Vieira e Wellington Dias, participam da programação os ministros Esther Dweck, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos; Luiz Eloy Terena, dos Povos Indígenas; e Rachel Barros, da Igualdade Racial.
A delegação brasileira também acompanhará reuniões relacionadas ao Conselho de Segurança da ONU e debates sobre conflitos internacionais, desigualdade, consolidação da paz e direito humanitário.









