A presidência chinesa do BRICS em 2027 poderá abrir novas frentes para ampliar a cooperação prática entre os países que integram o grupo. A avaliação é da especialista sul-africana em relações China-África Farhana Paruk, que participou recentemente de uma entrevista à agência Xinhua.
Para Paruk, o BRICS passou por uma transformação ao longo dos anos. O grupo, que inicialmente tinha como característica principal o diálogo político de alto nível, tornou-se também uma plataforma voltada à implementação de iniciativas concretas de cooperação entre seus integrantes.
Na avaliação da especialista, existem diversas áreas que ainda apresentam potencial para uma integração mais profunda. Entre elas estão o uso de moedas locais nas transações comerciais, a conexão entre sistemas de pagamentos internacionais, o fortalecimento das cadeias de abastecimento e a expansão do financiamento de projetos por meio do Novo Banco de Desenvolvimento.
A agenda tecnológica também deverá ganhar espaço durante a presidência chinesa. Paruk considera que inteligência artificial, economia digital e desenvolvimento sustentável podem receber atenção crescente, acompanhados por iniciativas relacionadas à definição de padrões, governança, financiamento e transferência de tecnologia.
Outra frente apontada pela especialista envolve setores tradicionais da cooperação econômica. Ela destaca a possibilidade de criação de plataformas conjuntas voltadas à tecnologia agrícola, além do desenvolvimento de soluções de baixo custo para irrigação e armazenamento de alimentos.
No setor energético, a cooperação poderá envolver o intercâmbio de conhecimentos e tecnologias relacionados à energia solar, sistemas de armazenamento por baterias, redes elétricas e produção de hidrogênio verde.
A atuação do BRICS na governança internacional também deverá permanecer entre os temas de interesse. Segundo Paruk, a China poderá trabalhar em conjunto com os demais integrantes do grupo para defender reformas em estruturas multilaterais e ampliar a participação dos países do Sul Global em instituições financeiras e políticas internacionais.
A especialista também relaciona essa agenda à criação de mecanismos que favoreçam o financiamento do desenvolvimento, as iniciativas de combate às mudanças climáticas e a expansão da inclusão digital.
Na avaliação de Paruk, o fortalecimento dessas áreas de cooperação pode contribuir para ampliar a participação dos países em desenvolvimento nos processos de decisão das instituições internacionais e apoiar uma agenda de desenvolvimento com maior inclusão.









