O Congresso dos Estados Unidos aprovou um novo pacote de medidas destinado a ampliar a pressão econômica sobre a Rússia, incluindo mecanismos que podem afetar diretamente países que continuam comprando grandes volumes de petróleo e gás russos. A legislação agora segue para o presidente Donald Trump, que já sinalizou que pretende sancioná-la.
A Câmara dos Representantes aprovou o projeto por 262 votos a 159, depois de o Senado ter dado aval à proposta por uma ampla maioria, com 86 votos favoráveis e 11 contrários. O texto representa uma das principais iniciativas legislativas de Washington contra Moscou desde o retorno de Trump à Presidência.
Entre as medidas previstas estão novas restrições aos setores energético e de defesa da Rússia, além de sanções direcionadas ao presidente Vladimir Putin, integrantes de seu círculo político e entidades relacionadas ao esforço militar russo.
O projeto também amplia o alcance das medidas contra a chamada “frota fantasma”, formada por navios utilizados para transportar petróleo russo e contornar parte das restrições impostas por países ocidentais.
China e Índia entram no alcance das novas medidas
Um dos pontos de maior impacto internacional da legislação é a autorização para que o presidente dos EUA estabeleça tarifas de até 100% sobre produtos de países que mantenham grandes volumes de compras de petróleo ou gás provenientes da Rússia.
China e Índia estão entre os principais compradores de energia russa e, por isso, aparecem no centro das possíveis consequências da nova legislação. A medida, contudo, não determina automaticamente a aplicação da tarifa máxima: o texto concede ao presidente autoridade para decidir sobre a adoção das medidas.
Dados divulgados pela S&P Global indicam que, em agosto, a Índia importou cerca de 1,6 milhão de barris de petróleo russo por dia, enquanto a China registrou aproximadamente 1,1 milhão de barris diários.
A possibilidade de ampliar as tarifas provocou divergências dentro do próprio Congresso americano. Parte dos democratas apoiou o aumento da pressão sobre Moscou, mas criticou a extensão dos poderes concedidos ao presidente na área comercial.
O deputado Gregory Meeks, principal democrata da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, argumentou que a legislação poderia dar ao Executivo uma margem excessiva para definir políticas tarifárias. Apesar das tentativas de alterar esse trecho, as propostas de mudança não avançaram.
Índia mantém política de compras de petróleo russo
Após a aprovação do projeto, o governo indiano indicou que pretende continuar garantindo suas necessidades energéticas por meio de diferentes fornecedores e de acordo com as condições do mercado.
A relação entre Nova Délhi e Moscou permanece relevante nos setores energético, estratégico e militar. O petróleo russo continua tendo papel importante no abastecimento indiano, o que cria uma possível área de tensão entre Índia e Estados Unidos.
A legislação americana também prevê medidas contra empresas e organizações estrangeiras que contribuam para o esforço militar russo ou auxiliem na evasão das sanções existentes.
Para Washington, o objetivo é aumentar o custo econômico das operações russas enquanto a guerra na Ucrânia permanece sem um acordo de cessar-fogo. O governo ucraniano acompanhou de perto a tramitação da proposta e defendeu sua aprovação.
Zelensky pressiona por novas medidas
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, vinha defendendo uma ampliação da pressão econômica contra Moscou. Segundo a posição apresentada pelo governo ucraniano, a manutenção das sanções seria um dos instrumentos para pressionar a Rússia a avançar em negociações.
A aprovação ocorreu em meio à continuidade dos ataques russos contra a Ucrânia. Autoridades ucranianas informaram que ataques com drones contra transportes civis no sul do país deixaram cinco mortos na quarta-feira.
Grupos favoráveis à Ucrânia também comemoraram a aprovação da legislação e defenderam que as novas medidas sejam implementadas rapidamente.
A Rússia, por sua vez, continua buscando manter suas exportações de energia para mercados importantes, especialmente na Ásia. A possibilidade de novas tarifas americanas acrescenta um elemento de incerteza ao comércio internacional de petróleo e gás e pode afetar as relações econômicas entre Washington, Moscou, Pequim e Nova Délhi.
Caso Trump sancione o projeto, a aplicação prática das medidas dependerá das decisões posteriores do governo americano, especialmente em relação às tarifas sobre países que mantêm compras de energia russa.









