Campus próximo ao Parque Nacional dos Vulcões reúne pesquisa científica, educação e conservação; grupo de jornalistas também percorreu as montanhas ruandesas para observar os gorilas em seu habitat natural
Durante visita a Ruanda, a jornalista brasileira Fabiana Ceyhan conheceu o Ellen DeGeneres Campus of the Dian Fossey Gorilla Fund, projeto dedicado à pesquisa e à conservação dos gorilas-da-montanha. Localizado em Kinigi, no distrito de Musanze, próximo ao Parque Nacional dos Vulcões, o complexo tornou-se um dos símbolos dos esforços de conservação desenvolvidos no país.
O campus, um projeto de aproximadamente US$ 15 milhões, recebeu uma contribuição inicial decisiva de Ellen DeGeneres e de sua esposa, Portia de Rossi. A iniciativa nasceu da admiração de DeGeneres pelo trabalho da primatologista Dian Fossey, que dedicou grande parte de sua vida ao estudo e à proteção dos gorilas nas montanhas de Ruanda.
A ligação de Ellen DeGeneres com o projeto começou em 2018. Naquele ano, Portia de Rossi criou o The Ellen Fund como presente de aniversário para a apresentadora, tendo como primeiro grande projeto o apoio à construção de uma sede permanente para o Dian Fossey Gorilla Fund em Ruanda.
Inaugurado oficialmente em 2022, o campus vai além da proteção direta dos gorilas. O complexo abriga instalações destinadas à pesquisa científica, formação de estudantes e pesquisadores, educação ambiental e atividades voltadas à aproximação entre conservação e comunidades locais.
Entre os espaços estão o Sandy and Harold Price Research Center, o Cindy Broder Conservation Gallery e o Rob and Melani Walton Education Center. A estrutura inclui laboratórios e áreas educativas, além de experiências interativas que apresentam aos visitantes a história de Dian Fossey e a evolução dos esforços para preservar os gorilas-da-montanha.
Jornalistas fazem trekking para encontrar os gorilas
Além da visita ao campus, um grupo de jornalistas realizou um trekking pelas montanhas de Ruanda para observar de perto os gorilas-da-montanha em seu habitat natural.
A caminhada pelas áreas montanhosas permite compreender, na prática, a dimensão do trabalho realizado para preservar a espécie. O acesso aos grupos de gorilas ocorre de forma controlada e acompanhado por profissionais, dentro de uma política que busca conciliar a presença de visitantes com a proteção dos animais.
A experiência também evidencia por que os gorilas se transformaram em um dos principais símbolos internacionais de Ruanda. O turismo relacionado à espécie atrai visitantes de diferentes partes do mundo e está inserido em um modelo no qual conservação, turismo e geração de recursos para as comunidades locais estão diretamente relacionados.
Projeto também movimentou a economia local
A dimensão econômica do empreendimento chama atenção. Segundo o Dian Fossey Gorilla Fund, mais de 2.400 integrantes das comunidades locais participaram da construção. Dos US$ 15 milhões destinados ao projeto, mais de US$ 13,4 milhões representaram investimento na economia ruandesa durante a construção. Materiais locais e o trabalho de artesãos do país também foram incorporados ao complexo.
A sustentabilidade aparece ainda na própria arquitetura. O campus utiliza sistemas de captação de água da chuva, telhados verdes e tratamento de águas residuais. O projeto também promoveu a recuperação ambiental de antigas áreas agrícolas com o plantio de mais de 250 mil plantas nativas.
Gorilas, conservação e turismo
A visita ao campus e o trekking pelas montanhas mostram uma característica importante da estratégia adotada por Ruanda: a conservação dos gorilas não é tratada apenas como uma questão ambiental. Ela está diretamente relacionada ao turismo e ao desenvolvimento das comunidades próximas às áreas protegidas.
O país transformou a preservação dos gorilas-da-montanha em um dos pilares de sua política de ecoturismo. Parte dessa estratégia envolve fazer com que os recursos gerados pelos parques e pelos visitantes também produzam benefícios para as populações que vivem no entorno das áreas de conservação.
Essa relação ganha visibilidade internacional com o Kwita Izina, tradicional cerimônia de nomeação dos filhotes de gorila, realizada anualmente em Ruanda e transformada em um dos principais eventos de conservação do país.
Em 2026, o evento chegou à 21ª edição, realizada em Kinigi sob o tema “Conservation is Life: Sustaining the Future” (“Conservação é Vida: Sustentando o Futuro”). A cerimônia voltou a destacar a relação entre proteção ambiental, turismo e desenvolvimento das comunidades.
O Ellen DeGeneres Campus materializa parte dessa estratégia. Ao reunir ciência, educação, turismo e participação das comunidades locais em um mesmo espaço, o projeto mostra como a proteção de uma espécie ameaçada passou também a integrar a projeção internacional de Ruanda.
Mais de quatro décadas depois da morte de Dian Fossey, o trabalho iniciado pela primatologista permanece ligado às montanhas ruandesas.










